Períodos irregulares de chuva causam queda na produção de milho

19 de fevereiro de 2018 11:41
Agricultura , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Períodos irregulares de chuva causam queda na produção de milho (Foto: Divulgação)

Nova estimativa prevê redução de 20,4% na safra catarinense de milho grão. A combinação de estiagem e redução da área plantada trará uma queda na produção e a colheita deve fechar em 2,4 milhões de toneladas em 2018. Os números foram divulgados na última semana, no Boletim Agropecuário do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).

Os períodos de estiagem, principalmente em setembro e dezembro de 2017, comprometeram a produtividade das lavouras de milho catarinenses. Se na última safra os produtores colheram em média 8,6 toneladas/hectare, este ano o número deve ficar em 8 toneladas/hectare, uma queda de 7,14%.

“Tivemos problemas de polinização e também de enchimento de grão. Primeiro deu problema de polinização que deu sol na hora da floração e quando precisava de sol para o enchimento do grão teve um período de muita chuva” explica o extensionista da Epagri de Xanxerê, Alexandre Bortoluzzi.

A área plantada para o milho grão também será menor este ano, serão 310 mil hectares (14,3% a menos do que na última safra). Os principais concorrentes do milho grão são o milho silagem e a soja, que vêm ganhando cada vez mais espaço no meio rural. Conforme Alexandre, dos cerca de 6 mil hectares de milho plantados em Xanxerê, 3.500 são para a produção de silagem e 2.500 para a produção.

Além disso, Alexandre comenta que o quadro de produção de milho e soja se inverteram no município. Hoje, dois terços das terras plantadas são ocupadas por soja, chegando aos 12.500 hectares. “Em Xanxerê, que era uma região predominantemente de milho, hoje já são cerca de 6 mil hectares de milho plantados e cerca de 12.500 hectares de soja, podendo chegar aos 13 mil hectares. Essa produção se inverteu, antes era o contrário, tinha mais milho” comenta.

Segundo Alexandre, um dos principais fatores desse aumento de área de soja plantada é o preço. Hoje a saca do milho é vendida a R$ 25,00 e o soja a R$ 65,00, o que torna a produção de soja mais atrativa aos produtores.

Esses fatores fazem com que as projeções para a safra 2017/18 de milho não sejam otimistas. Com 643 mil toneladas a menos de milho grão, Santa Catarina pensa em alternativas para suprir as cadeias produtivas de carnes. Segundo o secretário da Agricultura e da Pesca, Moacir Sopelsa, uma das opções é criar uma rota para que o milho venha do Paraguai, com preços mais competitivos do que aquele vindo do Centro Oeste brasileiro.

A colheita menor tem impacto direto no setor produtivo de carnes em Santa Catarina. Como maior produtor nacional de suínos e segundo maior produtor de aves, o estado consome em média seis milhões de toneladas de milho todos os anos.

O acompanhamento de safra tem como referência a situação da colheita em fevereiro.

 

Panorama da região Oeste

Nas regiões de Chapecó, Xanxerê e Concórdia, até o dia 15 de fevereiro mais de 90% das lavouras se encontram em fase de maturação final e em torno de 10% da área plantada está colhida. Os relatos indicam uma safra normal que, devido as irregularidade das chuvas em alguns períodos (setembro e início de dezembro 2017), não deverá repetir os excelentes resultados da safra anterior.

Com informações do Governo do Estado de Santa Catarina


Por: Alessandra Oliveira

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