Plenária discute políticas públicas para os povos indígenas

6 de julho de 2016 08:39
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Plenária discute políticas públicas para os povos indígenas (Foto: Divulgação)

O município de Ipuaçu, que compreende a Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Xanxerê, sediou na última semana a reunião plenária do Conselho Estadual dos Povos Indígenas de Santa Catarina (Cepin), vinculado a Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho e Habitação. A atividade aconteceu na Escola Indígena Cacique Vanhkere que fica na terra indígena Xapecó.

O evento teve o objetivo de discutir as demandas dos povos indígenas. “Buscamos discutir as dificuldades, as necessidades e buscar caminhos para solucionar os problemas, além da criação de políticas públicas para os povos indígenas”, explica a secretária executiva do Cepin, Maria Irís Bessa Machado Lopes. Participaram representantes das etnias Guarani, Kaingang e Xkoleng do Estado de Santa Catarina.

Getúlio Narciso é Conselheiro Regional Kaingang e para ele receber a plenária é de grande importância. “É muito importante que venham até a terra indígena, pra gente tem um valor imenso e teremos a oportunidade das lideranças reivindicar junto ao Conselho as melhorias para nosso povo”, afirma.

Conforme Getúlio, entre as reivindicações, também estão as conquistas do povo indígena. Uma delas está relacionada a educação já que todos os professores são indígenas da própria comunidade e atendem alunos do pré-escolar até o ensino médio. Além disso, no município de Ipuaçu, existe um indígena trabalhando dentro da própria terra indígena no atendimento ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). “Conseguimos esse atendimento para as pessoas que precisam de cadastro e todos os serviços disponíveis através do CRAS”, enfatizou.

Durante a reunião foi apresentada a proposta de um concurso para escolher a logomarca do Cepin. A ideia é que participem todos os alunos matriculados regularmente nas escolas indígenas de Santa Catarina, e que sejam das etnias Guarani, Kaingang e Xkoleng.  O resultado será divulgado no dia 26 de outubro, no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis.

Representantes das Secretarias de Estado de Educação e Saúde também participaram da plenária.

O resgate da cultura

Os alunos da Escola Indígena Cacique Vanhkere que fazem parte do grupo de dança Gatanoã abriram a plenária com apresentações culturais. A música e a dança indígena foram os diferenciais do evento e teve o objetivo de apresentar os costumes e a cultura do povo indígena.

Formado por cerca de 100 alunos da escola, divididos em duas turmas de acordo com a idade escolar, o grupo surgiu em 1997 e tem o objetivo principal de mostrar e resgatar a cultura indígena e ainda de fortalecer a língua Kaingang.

Ana Paula Narciso Goejté é coordenadora de cultura da escola e explica que com a colonização, muito dessa cultura e da língua acabou se perdendo, por isso a necessidade deste resgate. “O grupo de dança hoje é uma das características que nós temos para fortalecer a língua Kaingang por causa do canto, das histórias trazidas pelos mais velhos”, conta.

Conforme a coordenadora, o grupo só se constituiu através das entrevistas realizadas com os mais velhos que repassaram elementos essenciais de como eram realizadas as danças, os nomes dos animais e a ligação íntima com a natureza. “O objetivo do grupo de dança é mostrar que a cultura ainda existe. As nossas raízes ainda existem e a presença do ´velho´ para a educação ela é muito importante.  Nós só conseguimos fazer isso com a contação de histórias dos mais velhos”, considera.

Os alunos se reúnem toda semana e para participar é preciso ter notas acima da média, saber ler e escrever corretamente e ainda ser exemplo na escola.  Ao todo a escola Cacique Vanhkere conta com 750 alunos. (Fonte: Assessoria de comunicação)

 


Por: Direto da Redação

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