Policial de Xanxerê ferido em serviço é homenageado na Alesc

25 de novembro de 2016 15:53 | Comunidade , Polícia , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Policial de Xanxerê ferido em serviço é homenageado na Alesc (Foto:Rede Princesa)

A Assembleia Legislativa homenageou os policiais militares e bombeiros feridos em serviço, bem como a Associação de Praças do Estado de Santa Catarina (Aprasc), na noite desta quinta-feira (24). “Nesta homenagem se confundem a comemoração dos 15 anos de conquistas da Aprasc, com a valorização das pessoas que no trabalho, a serviço do povo, foram feridas e ficaram com sequelas”, justificou Dirceu Dresch (PT), autor do pedido da sessão especial que comoveu aqueles que acorreram ao plenário Osni Régis.

O 2º sargento PM Jakson Huntemann representou os homenageados e revelou que o dia mais importante da sua vida não foi aquele que o condenou a viver em uma cadeira-de-rodas, mas quando decidiu pela carreira militar. “Segui o exemplo do meu pai e a partir do primeiro momento em que você veste a farda cáqui, está exposto ao risco. Fui vítima de um condutor negligente, logo nós que somos duramente criticados pelas operações de trânsito, nos dizem ‘vão prender bandidos’. E o que era aquele condutor? Se não fosse a camaradagem dos colegas, eu e estes companheiros seríamos esquecidos pela sociedade, por isso momentos como este devem ser enaltecidos”, ponderou Huntemann.

Para o presidente da Associação Nacional de Praças (Anaspra), cabo PMSC Elisandro Lotin, apesar dos feridos em serviço serem chamados de heróis, não se pode perder de vista a condição humana dos agentes de segurança. “Não somos heróis, somos profissionais, pais de família, cidadãos, com problemas como todo mundo, que sofremos como todos, neste momento bem mais, porque a polícia virou alvo, nunca se matou tanto policial, nunca teve tanto policial ferido e os governos ainda querem tirar nossos direitos, é preciso respeitar os profissionais da segurança pública”, defendeu Lotin.

Edson Garcia Fortuna, presidente da Aprasc, cobrou o reconhecimento do sacrifício dos colegas e uma legislação para proteger os agentes de segurança em serviço. “Talvez bastasse dizer muito obrigado para cada um, claro, uma placa ou um certificado materializa esse obrigado, mas ter a sociedade reconhecendo aqueles que são feridos em serviço é o ideal. Tem muita gente ferida que está em casa sem condições de sair”, argumentou o presidente da Associação de Praças de Santa Catarina.

 

15 anos da Aprasc

 

Lisandro Lotin, que já presidiu a Aprasc, lembrou os primeiros movimentos em defesa dos direitos dos praças. “Ver a Aprasc com 15 anos é voltar ao passado, a gente construiu isso com muito suor, vejo o (sargento Amauri) Soares, o J. Costa, nós mudamos a história da segurança pública de Santa Catarina e lutamos por algo que o ser humano sempre luta: justiça, respeito e dignidade.”

Dirceu Dresch destacou a organização e a coragem dos pioneiros. “Se organizaram e lutaram por melhores condições de trabalho, mas também para aumentar o número de policiais, a população aumentou, os problemas sociais cresceram, aumentado ainda mais a violência e causando um grande transtorno para a sociedade e para os servidores da segurança pública”, avaliou Dresch.

 

Primeiro presidente

 

O ex-deputado Amauri Soares, primeiro presidente da Aprasc, foi homenageado pelos colegas. “Soares, acho que o principal homenageado é você: abriu mão da carreira, da tua vida e se dedicou aos praças. Como deputado manteve a honradez e a honestidade tão cobrada dos homens públicos e que está tão em falta hoje em dia. Ainda há homens e mulheres honestos que fazem a diferença na sociedade”, informou Edson Garcia.

 

Quatro histórias

 

O cabo PM Ademir Amâncio ficou paraplégico aos 42 anos. Em 27 de outubro de 1995 ele ajudou a guinchar um micro-ônibus da Polícia Militar que estava na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. O micro-ônibus despencou do guincho e caiu sobre ele. Ademir fraturou duas vértebras (toráxica e lombar). Hoje, aos 63 anos, vive em uma cadeira-de-rodas.

O soldado PM Rodrigo da Silva Martins ficou tetraplégico aos 24 anos. Em 2004, ao atender uma ocorrência em Criciúma, foi atingido por projétil de arma de fogo. A bala perfurou seu pescoço.

O 1º sargento da PM Valmir Bressan Camargo atuava na Operação Veraneio de 2012 quando teve 50% do corpo queimado. Na noite de dois de janeiro daquele ano, Fábio Bevilaqua, 30 anos, entrou com gasolina na agência do Banco do Brasil de Abelardo Luz, no centro da cidade, incendiando os caixas eletrônicos. Ao impedir a ação, Camargo teve queimaduras de 1º e 2º graus e devido à gravidade dos ferimentos foi transferido para Joinville, onde ficou hospitalizado por vários meses, passando por mais de 20 cirurgias. Fábio Bevilaqua não resistiu aos ferimentos e acabou falecendo. Ele sofria de esquizofrenia há vários anos.

O soldado PM Cleverson Francisco Alves foi atacado em 10 de outubro deste ano com uma foice. Ele tentou conter um paciente em surto em Volta Grande, interior de Rio Negrinho, e ficou com sequelas neurológicas em razão dos golpes que levou na cabeça. Ainda se recupera dos ferimentos.

 

Policiais e bombeiros feridos em serviço

Soldado PM Alzemiro Cardoso de Aguiar

Soldado PM Cleverson Francisco Alves

Soldado PM Everton Simas

Soldado PM Fabiano de Meseses

Soldado PM Adelson Henrique Hammes

Cabo PM Divo Souza

Cabo PM Jairo Moacir dos Santos

2º Sargento PM Jakson Huntemann

1º Sargento PM Valmir Bressan Camargo (Xanxerense)

 

Policiais e bombeiros homenageados por relevantes serviços prestados

Soldado PM Anderson Chaves

Soldado PM Gesiel de Souza Pedro

Soldado PM Hilário Ermínio Thomas

Soldado PM Mauro Feltrin

Soldado PM Nilson dos Santos Liz

Soldado PM Rodrigo da Silva Martins

Soldado PM Sebastião Pedroso Ortiz

Soldado PM Rodrigo da Silva Martins

Soldado CBM Sidinei Claudio Dalmas

Cabo PM Ademir José Amâncio

Cabo PM Samoel Espindola Pereira

3º Sargento PM Geovanio Braz Pereira

2º Sargento PM Sidnei Jose Ficagna

1º Sargento Pedro Morosini

3º Sargento CBM Celso Luiz Ferro

1º Sargento CBM Vitorino Lamarque

 


Por: Alessandra Bagattini

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