Preconceito: “As pessoas preferem que você seja bandido, mas não transexual“

16 de maio de 2017 10:04
Comunidade , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Preconceito: “As pessoas preferem que você seja bandido, mas não transexual“ (Foto: Divulgação/Una Chapecó)

A cada dia que passa, mais se ouve falar em luta pelos direitos da categoria LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais). A classe já avançou muito na conquista do seu espaço, mas ainda há muito para ser conquistado. Os números de violência contra os LGBTs são alarmantes, A cada hora, um homossexual sofre algum tipo de violência no Brasil. Nos últimos quatro anos, o número de denúncias ligadas à homofobia cresceu 460%. Os jovens são as principais vítimas dos atos violentos e representam 33% do total das ocorrências. A cada quatro casos de homofobia registrados no Brasil, três são com homens gays, conforme reportagem do Estadão.

A luta dos transexuais é conseguir sobreviver em um lugar que sua média de vida é de apenas 35 anos. A Presidente da União Nacional LGBT de Chapecó, Karla Muniz, conta quais são as dificuldades que os transexuais encontram para se inserir na sociedade.

“A maior dificuldade é ouvir o ‘não’ da sociedade, teus familiares te abandonam por motivos de preconceito, religião e pelo que os outros vão pensar. Os amigos não podem te acolher por causa de seus familiares que não aceitam, as pessoas preferem que você seja bandido, mas não transexual “, relata Karla.

Karla ainda comenta que partir para o mundo da prostituição não é uma escolha do transexual e sim da sociedade que exclui, que lhe nega trabalho, que fecha as portas.

“A sociedade que me exclui é a mesma que me acolhe, mata minha fome, você é excluso de uma socialização, mas quando você se prostitui a mesma pessoa que te exclui vai te procurar, o pai, dono da moral, de bons costumes, o pai devoto, o pai com dois três filhos, essa é a sociedade hipócrita, homofobia que nos exclui”, diz Karla.

Apesar das dificuldades que esse grupo enfrenta, buscam forças para reivindicar e conseguir seus direitos, lutam para serem vistos e conseguirem se inserir na sociedade. Com as manifestações realizadas ao longo dos anos já adquiriram o direito da união estável entre duas pessoas do mesmo sexo, o direito de usar o nome social, trocar o registro civil para o nome feminino de sua escolha, mudar o gênero sexual sem se submeter a cirurgia de mudança de sexo.

“Os avanços em questão de direitos são lentos até porque temos que quebrar muitos preconceitos, fazendo paradas LGBT para nossa visibilidade, temos que bater na mesma tecla sempre para sermos ouvidos, mas quando conseguimos algo com o nosso trabalho é muito gratificante”, relata Karla.

Karla ainda diz que as manifestações são feitas de forma pacifica e a única coisa que cobram das autoridades são seus direitos de cidadãos.


Por: Direto da Redação

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