Prematuridade: dificuldades enfrentadas aproximam cada vez mais as mães

10 de janeiro de 2019 09:24
Comunidade , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Prematuridade: dificuldades enfrentadas aproximam cada vez mais as mães Fotos: Cristine Maraga

Entrar em trabalho de parto, correr para o hospital, ver o bebê nascer saudável e ir embora com ele nos braços. Esse é o desejo de todas as gestantes. No entanto, infelizmente, nem sempre é o que acontece. A cada ano, mais de 15 milhões de bebês nascem prematuros no mundo. No Brasil, são 340 mil, segundo a Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros. Isso quer dizer que mais de 300 mil pais precisam ir para casa sem os filhos e mais: são obrigados a conhecer a dura realidade de uma UTI.

As barreiras não são fáceis de superar, principalmente pelas mães. A rotina é dura e por conta disso é preciso buscar forças. Denise Sasso, é psicóloga no Hospital Regional São Paulo (HRSP), de Xanxerê. Ela atende as mães de bebês prematuros que permanecem na UTI Neonatal da instituição e diz que dentro da UTI cada dia é único e diferente.

– A gestação é uma vivência de incertezas, descobertas, sentimentos e emoções. Quando o bebê nasce antes do tempo esperado e planejado, toda essa vivência é abalada. Na UTI, as mães fazem parte das rotinas, e vivem diversos sentimentos, que oscilam entre medo, ansiedade e alegria. Cada dia é único e diferente na UTI – cita.

Um dos maiores desafios enfrentados é a adaptação com o local, tendo em vista que a mãe precisa ter cautela nos cuidados com o filho. Tudo que acontece dentro de um UTI é liberado e acompanhado por profissionais especialistas.

– Acompanhamos e auxiliamos as mães. Primeiro para adaptarem-se a rotina de ver seu filho na UTI e também no desenvolvimento do toque da mãe e seu bebê. Auxiliamos ainda no desenvolvimento afetivo-materno, bem como estimulamos o vínculo do pai com o bebê. O casal fica fragilizado, principalmente no âmbito emocional – comenta.

Um dos métodos utilizados e ofertados pelo HRSP é o artesanato. No local as mães se distraem e criam utensílios que serão utilizados a favor do bebê.

– Tem várias atividades que elas realizam, uma delas é o artesanato, que proporciona momento de descontração, relaxamento, e interação em grupo fora do ambiente da UTI. Além disso, a atividade auxilia no fortalecimento do vínculo mãe-bebê visto que os materiais confeccionados no artesanato são feitos para o recém-nascido. – diz.

Realidade vivida pelas mães

Daniela Baccalon da Silva, é enfermeira responsável pelo setor no período da tarde, segundo ela uma das maiores barreiras que são trabalhadas com as mães é a superação do período em que houve a separação.

– A gente tem um projeto de acompanhante, que é o direito que as mães possuem de passar 24 horas com seus bebês. Nesse caso, ela é abordada e é feita a parte de orientação. As mães não podem ajudar com os cuidados com os bebês no início. Aqui tem tudo para as mães. É uma rotina e existem vários desafios, inclusive o da separação do primeiro momento, o esgotamento físico e mental e outra coisa é o medo – relata.

Ainda segundo Daniela, o método canguru, que é realizado com as mães na UTI, visa, principalmente, proporcionar o momento de mãe e filho.

– O método canguru visa aproximar a mãe do bebê, já que isso foi cortado. Quando o bebê possui condições clínicas, ele vai para a posição canguru, que é peito com peito e eles ficam o tempo necessário. Mas, isso é feito só com liberação médica. Esse método proporciona muitos benefícios, um exemplo disso é o ganho de peso – comenta.

Além disso, dentro da rotina existe um horário que é esperado por todas as mães que possuem os seus bebês internados no local.

– O período da tarde é uma das horas mais esperadas pelas mães, já que é o período que a médica passa para dar informações. Aqui tudo é por etapas – conta.

 

Relatos de uma mãe sobre o assunto

Mayara Zanin Prates, é de Pinhalzinho e mãe do primeiro bebê que nasceu em 2019 no HRSP. Valentin é prematuro e a mãe comenta sobre os dias que tem vivido ao acompanhar o filho na UTI.

– Todo o dia é um dia novo. Cada grama que eles aumentam é uma alegria. A gente precisa esperar o tempo deles. O desafio de não poder tocar nele é muito difícil. Na minha gravidez eu pesquisei de tudo, menos sobre a prematuridade. É algo que a gente não espera. São dias bem difíceis, mas eu não tenho vontade de sair daqui. É triste não poder pegar no colo, mas não podemos apressar as coisas – conclui.

 


Por: Alessandra Bagattini

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