Presente da vida: após salvar vítima do tornado, policial se torna padrinho de menina

18 de abril de 2019 18:41 | Visualizações: 2855
Comunidade , Tornado , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp

 

No próximo sábado, dia 20 de abril, completa quatro anos desde a passagem do tornado por Xanxerê. Foram centenas de pessoas afetadas, edificações destruídas, mas com toda a certeza, a maior dificuldade foi a das famílias que perderam pessoas na tragédia.

Um dos casos que mais comoveu a comunidade foi a de uma família do Bairro Primo Tacca. No momento da passagem do tornado estavam na casa Alcimar Sutil, 33 anos, seus filhos Gabriel da Luz Sutil, de 8 anos, Ana Kelly que tinha três meses na época e a sua sogra.

Infelizmente, Alcimar Sutil não resistiu e morreu como um herói. De acordo com relatos de familiares e das primeiras pessoas que chegaram ao local, ele tentou salvar os filhos, mas a força dos ventos foi tão grande que a casa onde eles estavam ficou totalmente destruída. Ele morreu ainda no local.

O menino, Gabriel, chegou a ser socorrido por uma guarnição da Polícia Militar, foi encaminhado ao Hospital Regional São Paulo (HRSP), mas não resistiu e morreu dias depois. A bebê e sua avó, felizmente, sobreviveram.

 

Presente de Deus

É assim que define o soldado Mainardi. Ele e o soldado Dilmar foram os primeiros a chegar no local e viram o tornado se afastando da casa da família Sutil. Imediatamente, eles resgataram as duas crianças e deslocaram até o hospital. Depois voltaram e continuaram auxiliando no resgate.

Mainardi foi quem socorreu a Ana Kelly, que hoje tem quatro anos. Passado todo o momento de tristeza e luto da família, a mãe da menina convidou o Mainardi e a esposa para serem padrinhos dela.

– Primeiramente, eu não esperava. Eu compreendo a dor que ela sente devido as perdas, mas nunca imaginei que ela teria tamanha consideração. Foi uma emoção forte. Acompanhar os primeiros passos dela e acompanhar a Ana Kelly, eu costumo dizer que em meio a tanta tristeza, para mim teve esse momento de alegria. Eu ganhei uma família. Agradeço a Deus por ter sido utilizado como instrumento nesse momento, eu considero um privilégio poder estar acompanhando a vida dela – conta Mainardi.

 

Ana Kelly à esquerda, soldado Mainardi e sua filha à direita (Foto: Alessandra Bagattini/Lance Notícias)

 

20 de Abril de 2015

No dia do ocorrido, Xanxerê ficou sem energia e sem sinal de telefone. Foi a guarnição em que estavam os Soldados Mainardi e Dilmar que recebeu um chamado de outra guarnição, por meio do rádio. Eles apenas ouviram o chamado e o ponto de referência “Agriter”. Imediatamente deslocaram para o local e se depararam com a cena e com a casa da Família Sutil totalmente destruída.

– Foi uma coisa que marcou não apenas nós, mas a cidade inteira. Infelizmente, a cidade foi conhecida devido a essa tragédia. No dia nós fomos a primeira guarnição a chegar no local. Aqui nós encontramos fios energizados. Nós víamos o tornado em movimento e diversos objetos no ar. Nós não sabíamos o que estava acontecendo. Aqui nós vimos uma cena de guerra. A memória é muito presente. Não tem como não lembrar. Ainda mais quando vem a imagem das crianças. Quando chegamos haviam duas crianças no chão. O Mainardi pegou a menina, ela estava com o rosto cheio de barro. O menino nós fizemos o primeiro procedimento e corremos para o hospital, ele chorou dentro da viatura, o choro nunca foi tão esperado. Perder vidas foi o pior de tudo, o sentimento é de impotência – comenta o Soldado Dilmar.

 

 


Por: Patricia Silva

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