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Professor realiza aulas de jiu-jitsu em Xanxerê e região para melhora no desempenho escolar

Lance Notícias | Comunidade | 26/06/2022 12:26
Professor realiza aulas de jiu-jitsu em Xanxerê e região para melhora no desempenho escolar
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Guilherme Babo Sedlacek, mais conhecido no meio do jiu-jitsu simplesmente como Babo. Ele é natural de Teresópolis (RJ) e hoje realiza um trabalho voluntário dando aulas de jiu-jitsu nas escolas E.M.E.B Janete Cassol em Xanxerê e na escola E.M Vila Esperança em Abelardo Luz.

Desta maneira, ele conta que o projeto “Essência do Jiu-Jitsu” começou com aulas na EMEB Paul Harris, no início de 2018 até o ano de 2020. Entretanto, esse trabalho foi interrompido pela pandemia da Covid-19.

— Agora, as aulas estão sendo realizadas aos sábados na nova E.M.E.B Janete Cassol, para as turmas do 5° ao 9° ano. Esse ano, também comecei a trabalhar com uma turma de alunos da E.M Vila Esperança, em Abelardo Luz, com crianças do 3° ao 5° ano, duas vezes por semana, no contra turno — fala.

Babo começou a treinar na Academia Serrana, de Teresópolis (RJ), em 1988, aos cinco anos, mas desde 1995 passou a treinar na Academia Gracie Tijuca, no Rio de Janeiro, onde é discípulo do mestre Vinicius Aieta, até hoje.

Nessa perspectiva, Babo comenta sobre como o jiu-jitsu foi fundamental em sua vida, além da defesa pessoal contra agressões e tentativas de assalto no Rio de Janeiro, ele diz que o jiu-jitsu mudou sua vida como um todo.

— Quando criança, curei-me de uma bronquite por conta do condicionamento físico adquirido pela prática constante. Aprendi a me alimentar bem e a valorizar atividades ao ar livre, em contato com a natureza. Nos diversos campeonatos em que participei, desenvolvi capacidade de lidar com situações de pressão, de ser desafiado pelo desconhecido e de atuação diante de um grande público (por vezes, hostil) — relata.

Com isso, ele conta que durante o tempo em que seus estudos e trabalho o afastaram um pouco dos tatames, sua vida se desorganizou e desenvolveu hábitos menos saudáveis de alimentação e descanso, além de viver uma estagnação profissional. Contudo, ao retomar à rotina de treinos, conseguiu retomar a forma física e voltar a conquistar seus objetivos pessoais e profissionais.

— Nos treinos diários, aprendo a lidar com a derrota, a manter-me calmo em situações adversas, a valorizar meus companheiros e adversários como essenciais para meu desenvolvimento, a ver nos erros oportunidades de aprendizado — comenta.

Vale ressaltar, que se trata de um trabalho voluntario, tanto em Xanxerê como em Abelardo Luz.

— De 2018 a 2020, consegui aprovar projetos de extensão pelo IFSC – Câmpus Xanxerê, onde atuo como docente de História, o que permitiu a obtenção de recursos públicos para a aquisição de tatames, kimonos, faixas e medalhas necessárias para o início e realização do projeto. Também contei com doações de kimonos por amigos, o que vem ocorrendo até hoje e permite a continuidade do trabalho, já que os alunos estão sempre crescendo e necessitando de kimonos maiores, além de serem graduados em novas faixas — explica.

Logo, a aprovação dos projetos de extensão também garantiu a concessão de bolsas de estudo para alunos de Engenharia Mecânica e Técnico em Mecânica do IFSC, que pesquisaram a biomecânica e a história do jiu-jitsu sob as orientações de Babo e dos professores Jairo Carlos e Samuel Scheleski.

Questionado sobre as notas dos alunos que praticam o esporte:

— Acompanho as notas dos alunos participantes do projeto através de seus boletins bimestrais ou trimestrais. A permanência deles no projeto está ligada à manutenção das notas acima da média da escola ou à melhora em relação ao bimestre anterior. Em 2018 e 2019, houve melhora no desempenho escolar de 95% dos envolvidos, medindo esse desempenho tanto em termos absolutos, em relação às próprias notas no início do ano letivo como em relação às médias gerais da turma incluindo os alunos não participantes do projeto — destaca.

O mesmo fala sobre os benefícios do jiu-jitsu, assim como de outras artes marciais, como judô ou karatê, pois desenvolve a disciplina e a concentração, além de trazer ganhos significativos para o aprendizado como um todo.

— Estudos da Unicamp comprovam o ganho de massa cinzenta em áreas do cérebro ligadas à memória. Também há ganhos físicos em termos de força, equilíbrio e elasticidade. Como a metodologia do Jiu-Jitsu Gracie que eu ensino está focada principalmente nas técnicas de defesa pessoal, há um aumento significativo na autoconfiança dos praticantes, oferecendo condições de combater o bullying, a depressão e aumentando as possibilidades de autoproteção contra assédio a mulheres e crianças — afirma.

Além disso, Babo diz que o jiu-jitsu estimula a prática atlética e hábitos alimentares saudáveis para as gerações que hoje estão excessivamente ligadas a smartphones e videogames e ao consumo de produtos altamente calóricos como refrigerantes e bolachas recheadas, bem como combate a exposição de crianças e adolescentes ao tabagismo e ao abuso do álcool.

Destarte, tanto o Jiu-Jitsu Gracie que o Babo ensina, com ênfase na defesa pessoal, assim como o chamado Brazilian Jiu-Jitsu, com ênfase nas competições esportivas, são ambos descendentes do Judô Kodokan, que é um sistema pedagógico criado pelo educador japonês Kanō Jigorō. Tendo isso em mente, Babo diz que esse sistema foi desenvolvido para fornecer a educação física, mental e espiritual para o povo japonês há um século e meio. Até hoje, permanece como um método de formação integral do sujeito, adotado não só por academias de polícia e forças armadas em todo o mundo, como também está hoje presente em todas as escolas dos Emirados Árabes Unidos. Conquanto, infelizmente, aqui no Brasil, ainda não se valoriza tanto o potencial educativo e formativo do jiu-jitsu.

— Somos o berço do jiu-jitsu moderno e o maior celeiro de professores do mundo, mas exportamos nossos mestres ao invés de aproveitarmos estes talentos na formação da nossa população. Tenho certeza de que nossas escolas ganhariam muito desenvolvendo projetos de jiu-jitsu com seus alunos — reforça.

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