Psicóloga explica porque a mulher agredida tem tanta dificuldade de deixar o agressor

9 de agosto de 2016 08:48
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Psicóloga explica porque a mulher agredida tem tanta dificuldade de deixar o agressor Imagem meramente ilustrativa (Foto: Internet)

Os índices de mulheres que sofrem com a violência são altos em Xanxerê. Isso fez com que a Delegacia da Mulher fosse um projeto que saiu do papel. Há poucas semanas já atende e, garante o suporte necessário aquelas mulheres que sofrem com agressões e abusos.

No entanto, não é difícil se deparar com histórias tristes de mulheres que são agredidas ou até mesmo abusadas dentro de casa, porém, não agem contra o agressor, não os denunciam para as autoridades policiais ou então, os deixam. A psicóloga Danieli Cristina Bonetti Marció, explica o porquê isso acontece e o que motiva a mulher a permanecer nesta situação.

“É muito recente ainda, lá nos anos 80 que se começou a falar em proteção à mulher. A mulher foi conquistando muitos espaços e até se tornando independente financeiramente, mas tem toda uma questão do que a mídia divulga e aspectos culturais, que propagam a ideia do homem enquanto o dominador, o provedor e a mulher enquanto a sedutora, basta analisarmos as músicas que estão em alta. Então, por mais que a mulher tenha criado uma independência financeira, ainda existe a dependência emocional”, explica.

Danieli destaca ainda que muitas vezes o fato da mulher ter vivenciado a agressão quando criança em casa faz com que acabe se envolvendo em situações nas quais também é agredida, como se fosse uma tentativa de repetir o vivenciado, na busca de fazer diferente.

“ A pessoa que sofre a violência física, psicológica ou até mesmo sexual, por vezes, fica com o sentimento de culpa, como se tivesse provocado o ato de agressão. Ela pensa ‘foi tal comportamento meu que resultou na agressão, se eu mudar meu comportamento não vai mais acontecer’. O marido se torna um objeto de amor e ódio. Algumas mulheres, não todas, vivenciaram a agressão quando criança entre o pai e a mãe e acabam vivendo isso novamente, se submetendo a essa situação como algo natural. Para sair desta situação, é necessário que possam ter todo um aparato social a exemplo, de programas como o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e a Delegacia da Mulher, presentes em nosso município. Necessitam aos poucos reavaliar a relação na qual se encontram, tornando-se protagonistas da própria história, para romper com o ciclo de violência”, frisa.

Para auxiliar e amparar as mulheres, foi criada a lei Maria da Penha (11.340/06) que completou neste dia 7 de agosto, 10 anos de existência. Batizada de Maria da Penha, em homenagem a uma das tantas vítimas de agressão, ela é considerada uma das melhores legislações do mundo no combate à violência contra as mulheres pela ONU (Organização das Nações Unidas).

 

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Por: Patricia Silva

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