Sete anos depois, estabelecimentos voltam a distribuir sacolas plásticas a consumidores

5 de julho de 2016 15:35
Comunidade , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Sete anos depois, estabelecimentos voltam a distribuir sacolas plásticas a consumidores Depois de sete anos, todos os mercados de Xanxerê voltam a distribuir sacolas plásticas. (Foto: Patrícia Silva/Lance Notícias)

 

Já se passaram sete anos deste a implantação do projeto que visa a utilização das sacolas retornáveis nos supermercados de Xanxerê. Na época, Xanxerê foi tomada como exemplo para diversos outros municípios e estados, já que foi a primeira cidade a aderir a abolição das sacolas plásticas no Brasil.

Tanto tempo depois, o que se esperava era que a população xanxerense já estivesse acostumada à mudança e o uso da sacola retornável fosse algo natural, o que ainda não é.

Conforme dados de Edson Marció, presidente dos sindicados do Comércio e Varejista de Xanxerê e Comercio varejista de Gêneros Alimentícios, o impacto no uso do plástico foi imenso quando o projeto foi implantado, “não podemos ignorar isso, pois o fato de cobrar um percentual de cobrança fez com que as pessoas utilizassem apenas o necessário. Em muitos casos o produto já vem embalado, não é necessário utilizar uma sacola”, conta.

Sacolas voltam a ser entregues

No entanto, Edson conta  que há muitos clientes que ainda pedem pela sacola, “a gente quando empresário, nos preocupamos com a opinião do nosso cliente, é difícil para mim ir contra a vontade do cliente por que sempre tem alguns que pede pela sacola. Hoje alguns mercados vendem as sacolas a 10 centavos cada e outros dão”, explica.

Marció destaca ainda que nos últimos meses diversos estabelecimentos têm cedido a pressão dos clientes e voltaram a distribuir as sacolas plásticas como antes, “ me incomoda um pouco essa possível perda de continuação do projeto, eu não gostaria de desistir, mas claro que muitas vezes sofremos uma pressão do cliente, muitas vezes dos concorrentes. Vejo em São Paulo que isso virou lei, talvez, futuramente isso venha a virar lei aqui no município também. Eu vejo que este é um projeto com resultados que serão percebidos dentro de 10, 20 anos”, finaliza.

Coleta de lixo

O descarte correto do plástico esbarra, porém, no deficiente sistema de coleta de lixo do país. Dados de 2014 do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, constataram que a prática da coleta seletiva ainda está longe da realidade da população brasileira.

O número de casas atendidas por serviços de coleta regular de lixo aumentou entre 2013 e 2014. O deficit de atendimento, no entanto, ainda é grande: 17,3 milhões de pessoas moram em regiões sem nenhum tipo de coleta, a maior parte em zonas rurais e pequenos municípios. Se a coleta regular não é universal, mais rara ainda é a seletiva, encontrada hoje em apenas 1.322 dos 5.561 municípios do país, pouco mais de 20% do total.

As informações coincidem com levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), feito no ano passado, logo após a entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O estudo revelou que dos 64 milhões de toneladas de resíduos produzidos pela população, 24 milhões, ou seja, 37,5% foram enviados para destinos inadequados. A pesquisa envolveu 400 municípios, abrangendo 91,7 milhões de pessoas. Por dia, o brasileiro gera, em média, um quilo de lixo, de acordo com a Agência Senado.


Por: Patricia Silva

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