Setembro Amarelo: é preciso falar sobre suicídio

14 de setembro de 2018 10:22 | Comunidade , Saúde , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Setembro Amarelo: é preciso falar sobre suicídio Imagem Ilustrativa (Foto: Getty)

O mês de setembro é lembrado em todo o Brasil como o Setembro Amarelo. O movimento foi iniciado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), no ano de 2015 e visa quebrar tabus sobre o suicídio para evitar mais casos.

Ainda existe um tabu muito grande quanto a falar sobre suicídio, pois as pessoas tem medo que, falando, incitem mais pessoas a cometer o ato. E é justamente esse tabu que o Setembro Amarelo busca quebrar.

“Existe uma dúvida muito grande das pessoas sobre as pessoas que falam sobre suicídio. Muitas pessoas dizem que “quem fala sobre suicídio não faz” e isso não é verdade. Quem fala sobre suicídio, em algum momento vai fazer uma tentativa ou vai concretizar o ato”, explica a psicóloga Rosilei Lemes Vera.

Além disso, durante o mês de setembro se intensificam discussões sobre o caso, para mostrar às pessoas outras alternativas para seus problemas. Outro ponto abordado, é como pessoas que convivem com uma pessoa que tem o pensamento suicida podem lidar com ela e quais sinais ela pode apresentar.

“O suicídio não é algo repentino. Em algum momento já existiu ou existe uma idealização, onde ocorre mudanças de comportamentos, muitas vezes sutis. Isso precisa ser observado com bastante atenção, ou falas no sentido de que quer sumir, que não suporta mais a vida, que não aguenta mais. Não necessariamente a pessoa fala que vai se matar, mas traz frases que dão esse indicativo”.

Outro ponto que a psicóloga explica, é que a pessoa que faz uma tentativa de suicídio é uma pessoa que, na maioria dos casos, está passando por uma dor e um sofrimento muito intensos, que pode ou não estarem associados a transtornos mentais ou problemas com substâncias psicoativas.

Dentre as patologias que mais apresentam pensamento suicida estão a depressão, transtorno bipolar e uso de substâncias psicoativas como o álcool.

“A questão é conversar com essa pessoa, estar sempre aberto, se você conhece alguém que se encontra nessa situação, procure não julgar procure fazer um acolhimento, procure mostrar para ela que você está interessado em ajudar, que ela é uma pessoa importante sim. A melhor alternativa para quem não sabe trabalhar com essa questão, no primeiro momento é acolher essa pessoa e fazer com que ela entenda que ela precisa procurar ajuda”, destaca.

Cerca de 90% dos casos de pessoas que tem pensamento suicida podem ser revertidos com tratamento psicológico. “Quem comete suicídio ou faz a tentativa não quer matar a vida, quer matar a dor que está nela”, conclui a psicóloga.

Rosilei realiza palestras gratuitas para a comunidade periodicamente. Na próxima semana, o assunto será suicídio. Quem tiver interesse em participar pode entrar em contato por meio do número (49) 9 9814-5167 (WhatsApp) para mais informações.

O CVV – Centro de Valorização da Vida (uma das principais mobilizadoras do Setembro Amarelo) é uma entidade sem fins lucrativos que atua gratuitamente na prevenção do suicídio desde 1962, membro fundador do Befrienders Worldwide e ativo junto ao IASP – Associação Internacional para Prevenção do Suicídio), da Abeps (Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio) e de outros órgãos internacionais que atuam pela causa.


Por: Alessandra Oliveira

Deixe seu comentário

Saiba Mais