Sinte de Xanxerê se posiciona quanto a decisão que autoriza estudantes a denunciarem professores

28 de janeiro de 2019 14:57
Educação , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Sinte de Xanxerê se posiciona quanto a decisão que autoriza estudantes a denunciarem professores (Foto: Divulgação)

Ainda na última semana, foi divulgada uma decisão da desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), que acolheu o recurso e autorizou a deputada eleita Ana Caroline Campagnolo (PSL) a publicar, em sua página no Facebook, postagem em que se coloca disponível para receber denúncias de alunos contra professores com posições político-partidárias ou ideológicas.

A decisão gerou diversas discussões com opiniões a favor e também contrárias a decisão. O disque-denúncia incentiva que os alunos capturem em vídeo partes de uma aula em que o professor apresente posições ideológicas ou que ferem a liberdade de crença e consciência dos alunos. Ademais, a prática fere uma Lei que proíbe o uso de celular em escolas e dentro da sala de aula.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte), filial de Xanxerê, Jean Lemos, a classe dos professores deve recorrer para que a decisão seja derrubada. Segundo ele, além de incentivar que os alunos infrinjam uma Lei, isso também tem o cunho de intimidar os professores em sala de aula.

– Entendemos que ela quer intimidar os professores, na questão de dizer que o professor está trabalhando algo relacionado a política e política partidária. Mas, nós não estamos intimidados, não temos qualquer preocupação quanto a isso. Vamos brigar na justiça porque isso é um absurdo – comenta.

Além disso, Jean destaca que o professor precisa apresentar todos os lados de determinado assunto, abordando, inclusive, contextos como a política em si, sociedade, religião e até a questão de gênero.

– Além de tudo o que o professor já sofre em sala de aula, o salário defasado, as estruturas das escolas, ainda, agora esse disque-denúncia. Enquanto sindicato e classe vamos lutar para que essa decisão seja revertida, até porque fere a constituição, porque fere a liberdade de cátedra do professor. Somos totalmente contrários a essa decisão e vamos continuar lutando, cada vez mais, para poder ensinar e mostrar todos os lados e contextos de cada assunto – conclui.


Por: Alessandra Oliveira

Deixe seu comentário

Saiba Mais