Sonho de infância se torna realidade e jovem xanxerense se torna comissário de voo

8 de setembro de 2019 14:50 | Visualizações: 2689
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Sonho de infância se torna realidade e jovem xanxerense se torna comissário de voo Fotos: divulgação

João Paulo Camilotti, morador de Xanxerê, teve sua infância sendo influenciado pelo seu pai para ser piloto de avião. Quando chegou na adolescência pensou em servir a aeronáutica para realizar um sonho que até então era de seu pai. Impedido pela mãe quando tinha 14 anos, esse sonho ficou adormecido. Aos 18 anos iniciou o curso de gastronomia até que em um dia comum viu um post pelas redes sociais de que uma escola em Chapecó oferecia curso para piloto de avião.

O sonho despertou novamente e João começou a se interessar e a estudar sobre o assunto. Em conversa com seus pais novamente, resolveu abandonar a gastronomia e se aventurar nessa outra profissão a qual até então era distante da sua realidade.

– Meu pai foi para o Exército quando tinha 18 anos porque ele queria ser piloto de avião e a minha mãe foi para o Exército visitar um tio e foi lá que eles se conheceram. Meu pai acabou saindo do Exército e não se tornou piloto de avião. Tive a minha infância toda vendo filmes de avião e meu pai sempre me fala sobre piloto de avião. Quando eu fiz 14 anos eu quis ir para a aeronáutica e minha mãe não deixou. Quando eu estava com 18 anos eu já tinha até desistido da ideia em ser piloto de avião. Em janeiro de 2017 eu precisava tomar um rumo na minha vida e pesquisando na internet apareceu uma propagando no Facebook da escola Aerowest. Comecei a olhar e a pesquisar sobre o assunto e cheguei para o meu pai e falei que talvez eu queria ser piloto de avião. Aquela noite toda eu fiquei estudando e vi que ser comissário de voo se encaixaria melhor comigo, além do que o custo era muito mais em conta – conta João de como decidiu entrar de cabeça no mundo da aeronáutica.

 

João então se matriculou na escola e durante três meses realizou o curso. Ele precisou fazer o Certificado Médico Aeronáutico (CMA), que é por meio disso que se é avaliado se está apto ou não a trabalhar dentro de um avião. Com a aprovação do CMA, João partiu para o curso de sobrevivência e, então, provas da Anac.

– Depois que aprovado o CMA faz-se o curso de sobrevivência, que consiste em sobreviver na água, na selva e combate a incêndio. Posterior a isso está apto a fazer a prova da Anac, que são 80 questões divididos em quatro setores. Aprovado, você está apto a enviar currículos para as companhias aéreas. Quando entra na companhia você faz um treinamento conforme as regras da companhia – conta João de como como foram os primeiros passos.

Com toda documentação aprovada, João enviou o currículo apenas para uma companhia aérea. Em algumas semanas ele recebeu um e-mail para participar da primeira fase de comissário de voo.

– Fui na primeira seletiva e consistia em prova de português, geografia e conhecimentos da Anac. Depois recebi outro e-mail para a segunda fase de seleção e foi bem mais restritiva. Primeiro eles apresentam a empresa, depois tinha avaliação com médico, entrevista em português e outra língua estrangeira, eu optei pelo inglês. Depois dessa fase precisa aguardar e vem a última fase que são os exames admissionais e toxicológicos – explica o jovem.

Com todos os requisitos aprovados, João teve um mês de treinamento para então iniciar seus voos. A instrução, como é chamada os primeiros voos, consiste em acompanhar a equipe e, além de observar o trabalho na prática, é também avaliado pela sua instrutora.

– Foram cinco dias de instrução e a instrutora vai te questionando sobre possíveis situações que podem ocorrer. O nosso manual tem 1.300 páginas e tem que saber tudo. A minha professora sempre dizia que comissário de voo tem que ter olhos de águia, porque ao mesmo tempo que eu estou olhando para frente eu preciso saber o que está acontecendo atrás de mim – conta como foram seus primeiros dias como comissário de voo.

 

Há um ano e meio na empresa, João realiza por enquanto voos nacionais. Mas seu sonho é voar mais longe, mas para isso, precisa passar por provas de língua estrangeira e também seguir uma ordem de senioridade.

– Dentro da avião é senioridade, então a gente entra na companhia e faz o texto voluntário de línguas estrangeiras e vai ter uma nota atrelada ao idioma. Com essa nota você precisa aguardar, então estou esperando ser chamado para fazer voos internacionais. A gente pode fazer até cinco pousos por dia, mas obviamente depende do comandante que é quem dá a ordem em todos – comenta.

Sobre a profissão e incentivo aos demais jovens que ainda não se decidiram em que área atuar, João diz que precisa amar a aviação e estudar muito. Além disso, finaliza dando uma dica de que se tem um sonho, ele não pode ficar guardado.

– Quando eu tinha 14 anos eu falava para meus amigos que a gente tem que trabalhar para algo que dê dinheiro. Hoje, eu vejo que a gente tem que trabalhar com o que a gente gosta para então conseguir o dinheiro e prosperar. A aviaçao tem que amar muito porque ela te abraça. É uma profissão desafiadora e normalmente as pessoas não sabem o que é ou o que faz, então temos que abrir o nosso olhar e ver as novas possibilidades e não se prender ao que a nossa região oferece. E, basta estudar e se desafiar – finaliza.


Por: Carol Debiasi

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