Temer é citado em delação: lideranças políticas de Xanxerê comentam situação

18 de maio de 2017 09:33
Comunidade , Política , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Temer é citado em delação: lideranças políticas de Xanxerê comentam situação Foto: Evaristo Sa

 

Os donos do frigorífico JBS, Joesley e Wesley Batista, disseram em delação à Procuradoria-Geral da República (PGR) que gravaram o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois que ele foi preso na operação Lava Jato. A informação é do G1.

Michel Temer assumiu a presidência após o impeachment de Dilma Rousseff. Diante da atual situação, o rumo do país é incerto. O Lance Notícias buscou conversar com lideranças políticas xanxerenses para ouvir a opinião deles sobre o atual cenário.

Ademir Gasparini- Miri (PSD)- “É lamentável para o Brasil nesse momento esses acontecimentos. Não que estejamos querendo tapar o sol com a peneira, esconder o que foi feito de errado, mas no momento em que o país busca a recuperação, principalmente econômico e um entendimento político, estoura mais uma bomba aí, isso prejudica muito o desenvolvimento do país e a volta do crescimento como um todo”, comenta Miri.

Carlos Colatto (PMDB)- O Lance Notícias buscou contato com Carlos, porém, sem sucesso.

Sidinei Mesnerovicz- Sidão (PT)- “Diante de todo o contexto de investigação, apuração dos fatos que vem acontecendo, principalmente no congresso, que as pessoas não param de fazer as coisas erradas, mesmo com as investigações em alta e é isso que indigna. É mais um descredito. Claro que o Temer tem o direito de resposta, deve se pronunciar hoje e nós estamos aguardando a posição do partido a nível nacional para saber nossos próximos passos. Isso tudo nada mais é do que o reflexo do que aconteceu lá atrás, todas essas reformas que estão fazendo hoje que prejudica o trabalhador é para economizar dinheiro para colocar o capital na mão de grandes corporações internacionais, eles não estão preocupados com a pessoa, para que ela tenha melhor qualidade de vida. Eu acho que isso tudo é o resultado do que aconteceu lá atrás”, diz Sidão.

Nathan Moreira (DEM)- “Toda questão que seja para moralizar, fazer uma limpeza no nosso pais é importante. Claro, com informações verídicas, eu vejo que agora vai ter que correr o trâmite e teremos duas alternativas que é a renúncia ou o impeachment. Depois acredito que seria mais viável as eleições indiretas que o Senado e a Câmara escolhendo o presidente. Eu vejo alguns comentando sobre as eleições diretas, mas acho difícil. Mas, acho importante e fica um alerta para nós cidadãos, ano que vem teremos eleições que os eleitores optem por candidatos que defendem as leis anticorrupção”, explica.

João Paulo Menegatti- Tatu (PTB)- “Eu acho que a grande verdade é que está tudo enlamaçado, está todo mundo envolvido. A corrupção tomou conta do Brasil, não se salva ninguém de governador, senador, deputado, então o pessoal se corrompe para se eleger e acaba roubando dinheiro do povo que deveria ir para a saúde, educação. O envolvimento dos caras é muito grande, acredito que o governo do Temer deve permanecer até o ano que vem e depois teremos eleição”, salientaTatu.

Stuart Linhares (Solidariedade)- “O que vimos ontem no cenário da política nacional, não nos resta outro pensamento, tem que varrer esse povo que tá no comando o nosso país da face da terra, e ainda esse presidente dizer que tá fazendo reforma pra melhorar o Brasil, não tem moral e nem legitimidade para tirar direitos dos nossos trabalhadores Brasileiro”.

 

 Sobre o caso

Segundo o jornal O Globo, o empresário Joesley entregou uma gravação feita em 7 de março deste ano em que Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver assuntos da J&F, uma holding que controla o frigorífico JBS no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Rocha Loures já foi chefe de Relações Institucionais da Presidência, quando Temer era vice-presidente e assessor especial da presidência após o impeachment de Dilma Rousseff.

A reportagem relata que o dono da JBS marcou um encontro com Rocha Loures em Brasília e contou o que precisava no Cade. Pelo serviço, segundo ‘O Globo’, Joesley ofereceu propina de 5% e Rocha Lores deu o aval.

As negociações teriam continuado em outra reunião, entre Rocha Loures e Ricardo Saud, diretor da JBS. Foi combinado o pagamento de R$ 500 mil semanais por 20 anos, R$ 480 milhões ao longo de duas décadas. Posteriormente, Rocha Lourdes foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados por Joesley.

 

Confira a enorme e devastadora repercussão do noticiário do jornal O Globo

Em outra gravação, também de março, o empresário diz a Temer que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para que permanecessem calados na prisão. Diante dessa informação, Temer diz, na gravação: “tem que manter isso, viu?”

Na delação de Joesley, o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, é gravado pedindo ao empresário R$ 2 milhões. No áudio, com duração de cerca de 30 minutos, o presidente nacional do PSDB justifica o pedido dizendo que precisava da quantia para pagar sua defesa na Lava Jato.

A entrega do dinheiro foi feita a Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, que foi diretor da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014.

Quem levou o dinheiro a Fred foi o diretor da JBS, Ricardo Saud. Foram quatro entregas, de R$ 500 mil cada uma. Um dos pagamentos foi filmado pela Polícia Federal (PF). A PF rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que foi depositado numa empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).

Outra filmagem mostra que Fred repassou, ainda em São Paulo, as malas para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar de Perella.

Segundo a reportagem, no material que chegou às mãos do ministro Edson Fachin no STF a PGR diz ter elementos para afirmar que o dinheiro recebido pelos assessores de Aécio Neves não era para os advogados.

Outros lados
Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência disse que o presidente Michel Temer “jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar”. (Veja no final do texto a íntegra da nota).

Aécio, também em nota, se declarou “absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos. No que se refere à relação com o senhor Joesley Batista, ela era estritamente pessoal, sem qualquer envolvimento com o setor público. O senador aguarda ter acesso ao conjunto das informações para prestar todos os esclarecimentos necessários”.

A JBS e a defesa de Eduardo Cunha informaram que não se pronunciarão.

O senador Zezé Perrella declarou, no Facebook: “Eu quero dizer para os que me conhecem e para os que não me conhecem que eu nunca falei com o dono da Friboi. Não conheço ninguém ligado a esse grupo. Nunca recebi de maneira oficial ou extra-oficial um real sequer dessa referida empresa”.

“Estou absolutamente tranquilo. […] Eu espero que todas as pessoas citadas tenham a oportunidade de esclarecer a sua participação. O sigilo das minhas empresas, dos meus filhos, estão absolutamente à disposição da Justiça. Ficará comprovado que não tenho nada a ver com essa história. Eu nunca estive em Lava Jato e nunca estarei”, afirmou Perrella.

O deputado Rodrigo Rocha Loures está em Nova York e, segundo sua assessoria, só irá se pronunciar quando voltar ao Brasil. O retorno está programado para esta quinta-feira (18).

Segundo o jornal, em duas ocasiões em março deste ano Joesley conversou com Temer e com Aécio levando um gravador escondido.

O colunista conta que os irmãos Joesley e Wesley Batista estiveram na quarta-feira passada no Supremo Tribunal Federal (STF) no gabinete do ministro relator da Lava Jato, Edson Fachin – responsável por homologar a delação dos empresários. Diante dele, os empresários teriam confirmado que tudo o que contaram à PGR em abril foi de livre e espontânea vontade.

Joesley contou ainda que seu contato no PT era Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff. Segundo “O Globo”, o empresário contou que era com Mantega que o dinheiro da propina era negociado para ser distribuído aos petistas e aliados, e também era o ex-ministro que operava os interesses da JBS no BNDES.

Cunha

Joesley disse na delação que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão na Lava Jato. O valor, segundo o jornal, seria referente a um saldo de propina que o deputado tinha com o empresário.

Joesley Batista disse ainda que devia R$ 20 milhões por uma tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

Investigação

Segundo o jornal, pela primeira vez a PF fez “ações controladas” para obter provas. Os diálogos e as entregas de dinheiro foram filmadas e as cédulas tinham os númjeros de série controlados. As bolsas onde foram entregues as quantias tinham chips de rastreamento.

Durante todo o mês de abril, foram entregues quase R$ 3 milhões em propina rastreada.

O jornal informou que as conversas para a delação dos irmãos donos da JBS começaram no final de março. Os depoimentos foram coletados do início de abril até a primeira semana de maio. O negociador da delação foi o diretor jurídico da JBS, Francisco Assis da Silva, que depois também virou delator.

Veja a íntegra da nota do Palácio do Planato:

NOTA À IMPRENSA

O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.

O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.

O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados.

Informações G1

 


Por: Patricia Silva

Deixe seu comentário

Saiba Mais