Toxoplasmose: menino de Xanxerê perde 80% da visão após contrair a doença

1 de outubro de 2018 11:40 | Comunidade , Lance Notícias , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Toxoplasmose: menino de Xanxerê perde 80% da visão após contrair a doença Foto: Alessandra Bagattini/Lance Notícias

Henrique, de sete anos, é aluno da Escola Pequeno Príncipe de Xanxerê. No início deste ano, a família do menino descobriu que ele possui toxoplasmose, que é uma doença infecciosa, congênita ou adquirida, causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii, encontrado nas fezes dos gatos e outros felinos. Dentre os sintomas apresentados pela doença está a perda da visão.

E foi por meio dessa dificuldade que a mãe de Henrique, Daniela Bueno, foi em busca de auxilio profissional. Após a doença, ele perdeu 80% da visão no olho esquerdo e 60% no direito.

De acordo com a mãe a descoberta ocorreu depois de um alerta da professora que leciona na turma em que Henrique estuda.

“Foi este ano. Ele tinha outros sintomas que não seriam da toxoplasmose, como dor no estômago. Ai eu procurei o médico do posto, mas sempre procuramos pensando que fosse outra coisa. Ele tinha a pele muito seca e várias manchas e o dermatologista disse que era a pele seca. Quando ele começou a estudar no primeiro ano, a professora começou a perceber que ele tinha dificuldades para enxergar e em casa eu percebi isso também. A professora me comunicou e eu marquei uma consulta. O oftalmologista nos encaminhou para Chapecó, onde fizemos uns exames mais aprofundados e o médico viu que ele tinha várias lesões no olho esquerdo, onde estava mais avançada a perda de visão. Em dois dias ela perdeu 10%. Nisso ele suspeitou que fosse a toxocaríase ocular e não a toxoplasmose. Fizemos o exame nele e deu positivo. O oftalmologista descobriu também que ele tinha mais algum problema, que era a toxoplasmose. Fizemos o exame e deu positivo. Nisso descobrimos também que ele tem a doença da arranhadura do gato. Descobrimos tudo junto”.

A suspeita, segundo Daniela, é que Henrique tenha contraído a doença na areia. “Ele pegou a doença na areia onde tinha fezes e urina de gato, cachorro.  Eu também tinha a doença na minha gravidez e tratei, mas nunca pensei que ele teria também. Então ele já nasceu com a doença, e ficou retida. Nós não tínhamos gato em casa, mas o Henrique sempre gostou de brincar com os animais de rua. Ele sempre gostou de salada, talvez tenha sido por isso, ser mal lavada, alguma coisa neste sentido”.

A família segue realizando os tratamentos para, assim, descobrir se é possível que Henrique use óculos. “Hoje, no esquerdo ele perdeu 80% da visão e no direito 60%. Ainda não sabemos se é possível ele usar óculos. Mas estamos fazendo o tratamento”.

Dilvane Motter, professora de Henrique, comenta que percebeu a dificuldade que o aluno possuía quando era necessário ele olhar para o quadro.

“Escola não tem o interesse de fazer o diagnóstico das crianças, mas precisamos ter um olhar atento, principalmente nos primeiros anos e eu observava que o Henrique tinha uma grande facilidade na realização das atividades, mas tinha diferença de quem possui uma visão normal. A gente foi observando e comunicamos a mãe, que prontamente ouviu nosso chamado e descobriu a doença, que para nós é uma novidade. Com isso, destacamos a importância do pai e mãe verificar quando for sinalizado alguma coisa. É importante essa parceria de escola e família”, cita.

A diretora da escola Ivanete Vieira destaca que passou pelo mesmo problema em casa. “O caso do Henrique é um e nós temos mais de 500 alunos. As professoras observam isso, eu tive esse problema dentro de casa também, com a minha filha. Mas é importante que os pais busquem, porque os alunos apresentam essas dificuldades na escola, na sala de aula”.

De acordo com Sandra Kohl, que atua no pedagógico, é importante que os pais entendam que o principal objetivo da escola é auxiliar os pais. “Todo o início de ano, a gente sempre chama os pais para colocar a principal dificuldade dos alunos e o objetivo é alertar e ajudar os pais”, conclui.


Por: Alessandra Bagattini

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