Xanxerê: 45 pessoas estão na fila de espera para adotar uma criança

1 de novembro de 2018 09:31 | História , Social , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Xanxerê: 45 pessoas estão na fila de espera para adotar uma criança Foto: Divulgação

De acordo com o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), do Conselho Nacional de Justiça, há cerca de 7,2 mil crianças aptas para adoção no Brasil. Muitas delas permanecem em abrigos por anos até que sejam recebidas por uma nova família. Outras chegam à maioridade na instituição e precisam procurar outro lugar para morar.

Após a criança ser entregue no acolhimento, em função de maus tratos ou por ter sido abandonada, ela permanece em fase de estudo, para ver se está apta para voltar para a família, ou permanece no acolhimento e é encaminhada para a adoção.

Esse tempo pode variar de seis meses a um ano. A assistente social da Comarca do Fórum de Xanxerê, Elizabete Aparecida Scheffer comenta o porquê dessa demora. “Essa demora pode ser tão grande pois às vezes a família não desiste da criança, então entra com advogados para tentar recuperar a guarda, e fica em tramitação em um período de quatro a seis meses. Isso explica o porquê de tantas pessoas no acolhimento que não foram adotadas ainda, porque geralmente são crianças que estão nesse processo”.

Segundo dados do Fórum, atualmente 45 pessoas estão habilitadas e aguardando para adotar crianças. E ainda nenhuma criança está apta para adoção, elas se encontram entre o processo de estudo.

Quem deseja adotar pode procurar o Serviço Social do Fórum, para conferir a documentação necessária para encaminhar a adoção. Basicamente os documentos são: identidade, comprovante de renda, declaração de casamento ou união estável, mas Elizabete ressalta que para adotar uma criança não à necessidade de estar casado. “Pessoas solteiras, viúvas ou que vivem em união estável também podem adotar”.

Cada pretendente deve fazer o cadastro de adoção na Comarca da sua cidade. Depois desse cadastro a pessoa está habilitada para adotar uma criança em qualquer estado do país.

Obrigatório para a habilitação da adoção:

– Avaliação médica e de um psicólogo;

– Curso obrigatório de 14 horas, ministrado pelo Fórum: o curso aborda várias temáticas, dentre elas, direito da criança e do adolescente, implicações decorrentes de adoção realizada sem a documentação exigida.

Elizabete ressalta três pontos muito importantes neste curso:

– Investimento afetivo e financeiro necessário para ter um filho: “Muitas vezes o casal acha que por ter uma boa condição financeira, pode adotar e deixar a criança o dia todo em uma escola ou com uma babá, mas essas crianças demandam muita atenção afetiva, para se adaptar”;

– Criança desejada versus crianças em condições de ser adotadas: “Neste ponto vale ressaltar que muitas vezes o casal idealiza uma criança, mas esta não está disponível no acolhimento”;

– Revelação e abordagem: como o casal vai explicar para a criança que ela está sendo adotada, respeitando as origens dela.

Elizabete conta que tanto no estado como em Xanxerê, já houve vários casos de criança que foram devolvidas. E nestes casos raramente é por causa da criança não se adaptar, mas sim, a maioria das vezes são os pais, que não estão preparados para assumir o compromisso de criar um filho. “Aqui é ressaltada a importância do curso, que tenta preparar ao máximo a pessoa, para que quando a criança for adotada ele esteja preparado”.

Elizabete comenta que tanto no estágio de convivência com a criança como após a adoção, é possível devolver a criança, mas se não houver uma justificativa aceitável, a pessoa sai da lista de adoção e ainda é multado com uma indenização para a criança, que sempre acaba sofrendo, passando por dois processos de abandono.

Quando a mãe realiza a entrega da criança, na Assistência Social, ela recebe um documento e está ciente que não terá mais nenhum retorno sobre ela, não tem como voltar atrás.

Sempre que se fala em adoção a sociedade julga o fato das mães abandonarem seus filhos. “Essas mães estão tendo um ato de amor pelo filho, pois está abrindo mão do amor materno para que outro casal possa dar uma condição de vida melhor para ele. As mães que tiverem alguma dúvida, podem procurar o Serviço Social do Fórum para receber uma orientação”, finaliza Elizabete.


Por: Karina Ogliari

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