Xanxerê já registrou cerca de 15 casos de abuso sexual neste ano

26 de maio de 2019 18:23 | Visualizações: 647
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Xanxerê já registrou cerca de 15 casos de abuso sexual neste ano Foto: Divulgação

O tema violência e abuso sexual contra criança sempre choca a população em geral. Entretanto, todos os dias são atendidos novos casos em todo o país e também na região.

Somente em 2019, o Conselho Tutelar de Xanxerê atendeu cerca de 15 casos de abuso sexual. Os casos chegaram por denúncias e foram confirmados. Entretanto, segundo Jaqueline Melo, presidente do Conselho, as denúncias estão diminuindo.

– Aqui em Xanxerê, nos últimos tempos, estamos recebendo menos denúncias, recebíamos mais denúncias. Mas, depois do 18 de maio, que é o Dia de Combate à Exploração Sexual, geralmente os números de denúncias voltam a aumentar. Mas, em comparação ao final do ano passado, o número diminuiu –comenta.

Jaqueline frisa que, se o adolescente não tiver 14 anos completos, caso haja relações sexuais, se configura como abuso, em qualquer circunstância.

– Não existe consentimento se o adolescente tem menos de 14 anos. Se ele ainda não completou os 14 anos, independe da vontade dele querer ou não manter relações sexuais, é abuso. Porque existem casos que falam isso para nós, ‘mas a menina quis, o menino quis’, mas é abuso. Abaixo de 14 anos é estupro, é abuso e ponto. Ainda há esse preconceito, principalmente nas redes sociais, alguns comentários como e a vítima procurasse aqui, mas menor de 14 anos não tem uma capacidade psicológica para dizer se é certo ou não – salienta.

De acordo com a conselheira Roseli Nunes de Oliveira, esse assunto vem sendo discutido cada vez mais cedo nas escolas, o que auxilia para que as crianças possam se conscientizar.

– Agora, estão falando sobre isso na escola e é muito importante, porque às vezes a criança que é abusada não quer falar com os pais, mas acaba dando sinais e às vezes a professora percebe e é muito importante denunciar sob qualquer suspeita. Não precisa se identificar e mesmo que a pessoa se identifique, nós mantemos a identidade em sigilo – comenta.

Elas ainda ressaltam a importância da denúncia, pois essa é a forma que faz com que o Conselho Tutelar possa agir e identificar a violação de direitos de crianças e adolescentes. Sem a denúncia, os conselheiros ficam sem ação.

– Precisamos da denúncia para que a gente possa agir. Mesmo que seja uma suspeita, denuncie você pode salvar a vida, o futuro de uma criança. É muito difícil alguma denúncia não ser nada. Às vezes, a pessoa denuncia uma coisa que não acontece, mas tem outra violação de direito ali – destaca Jaqueline.

Outro ponto importante destacado por Roseli é que, na grande maioria dos casos, o abusador é alguém do convívio da criança e da família.

– Às vezes o abusador é uma pessoa que a família e a criança confiam muito. Em 90% dos casos, a pessoa frequenta a casa ou, até mesmo, está dentro de casa – pontua.

Quem precisar do Conselho Tutelar, o atendimento de segunda à sexta é das 8h às 19h, sem fechar ao meio-dia e ele fica localizado na Rua Tocantins, número 401, Bairro Colatto. Fora deste horário e nos fins de semana há o número de plantão (49) 9 9138-3060.


Por: Alessandra Bagattini

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