Xanxerê registra em média dois acidentes de trabalho por trimestre

13 de junho de 2016 14:56
Bombeiros , Comunidade , Obras Compartilhar no Whatsapp
Xanxerê registra em média dois acidentes de trabalho por trimestre Técnica de Segurança no Trabalho comenta sobre acidentes em Xanxerê (Foto: Patrícia Silva/Lance Notícias)

 

O trabalho dos técnicos de segurança tem, a cada dia, ficado mais rígido. Hoje são registrados em torno de dois acidentes de trabalho a cada trimestre em Xanxerê, de acordo com dados da técnica Arlete Piccoli e, este número é considerado muito alto. Porém, a técnica destaca que a adesão e a consciência sobre a necessidade do uso de equipamentos de segurança têm aumentado consideravelmente também.

“Tem acontecido muitos acidentes, mas hoje graças a fiscalização do ministério público, a consciência, através dos cursos, o empresário não vê o encarregado como peão de obra ele vê como empresário da obra, que representa ele, que defende eles. Então, se vê a necessidade dos conhecimentos técnicos e teóricos. Então, quando o funcionário vê a necessidade do uso dos EPIs, os acidentes diminuam, tudo isso porque os mesmos percebem a importância do uso dos equipamentos”, destaca Arlete.

Em primeiro momento a marca de dois acidentes por trimestre pode ser considerado baixo, porém Arlete destaca o quanto um acidente de trabalho impacta na vida do trabalhador e da empresa, o que faz com que a marca seja considerada alta.

“Quem fornece os dados é o ministério público, mas por trimestre acontece 2 acidentes isso é considerado muito. Isso porque, por mais que seja um acidente pequeno, ele afasta o trabalhador, muitas vezes mata ou deixa sequelas, isso é prejudicial para o funcionário e para a empresa. Pois se acontece um acidente alguém falhou e geralmente é a parte de segurança, mas não existe culpado, quando se tem um acidente. Porém a empresa é corresponsável, pois ela é obrigada a dar assistência necessária, como acompanhamento médico, remédios e sua reabilitação, pois eles têm todos os seus direitos”, destaca.

 

Funcionários que não utilizam EPIs são demitidos

A técnica em segurança de trabalho destaca que os treinamentos em empresas, principalmente da construção civil, são constantes. Diz ainda que os funcionários que insistem em não utilizar todos os equipamentos, geralmente são dispensados.

O técnico de segurança é por grau de risco, por exemplo, na construção civil, acima de 20 funcionários a empresa precisa de um técnico. É de responsabilidade da empresa, distribuir os EPIs de segurança de forma gratuita para cada funcionário. E cobrar, exigir o uso. Muitas vezes pessoas que já possuem anos na área da construção preferem não utilizar os equipamentos. Nestes casos, como acontece na empresa onde trabalho, o funcionário passa por um treinamento quando inicia na empresa e se dentre os 45 dias de experiência a gente percebe que o funcionário não quer usar o equipamento ele é dispensado. Nós como empresa e técnico precisamos cobrar o uso de todos os equipamentos para evitar os acidentes, mas quando o pedido e a notificação não funcionam não resta outra alternativa”, explica.

 

Fiscalização

Arlete comenta ainda sobre como um acidente de trabalho impacta na vida de um trabalhador e até mesmo da empresa, já que esta pode ter sua obra embargada, dependendo da gravidade do acidente.

“A fiscalização é diária, precisa estar todos os dias na obra e verificar todos os EPIs. Quando nos deparamos com alguém sem algum equipamento, primeiro precisamos saber porque esse trabalhador está sem, pois, a empresa precisa fornecer. Na segunda vez ele recebe uma advertência, que é um documento em que ele fala que é ele quem não quer fazer uso dos equipamentos, e nesse caso se acontecer um acidente, a empresa tem esclarecido. O negócio é prevenir, pois um acidente pode levar até o embargo da obra, por isso a presença de um técnico é fundamental. Sem falar que após um acidente, além de poder levar a morte, o risco de sequelas é muito grande. Nestes casos, muitas vezes a pessoa não possui mais capacidade de exercer a mesma atividade na empresa após o acidente, não possui qualificação para trabalhar em outra área e a empresa não pode demitir, então, ele acaba tendo que fazer o trabalho de auxiliar”, destaca.

 

Núcleo de segurança no trabalho

Visando a socialização e troca de experiências e dúvidas, a Acix criou há cerca de oito meses o Núcleo de Segurança no Trabalho. Onde técnicos de diversas empresas do município se reúnem e conversam sobre os desafios da profissão.

“A acix tem o núcleo da segurança do trabalho, que realiza encontros uma vez por mês para fazer reuniões, onde os técnicos dividem expectativas, medo, porque acima de tudo somos seres humanas, é uma troca de experiência”, diz ainda Arlete.

A técnica finaliza pedindo atenção dos trabalhadores e que eles exijam das suas empresas o fornecimento de todos os equipamentos necessários: “É dever da empresa fornecer todos os EPIs e trocar sempre que necessário, o técnico cuida em relação a isso, para que o trabalhador sempre tenha os equipamentos em perfeito estado, mas quando o equipamento já não está nas suas perfeitas condições é dever do funcionário falar ao técnico, pensar sempre na sua segurança em primeiro lugar”, finaliza.

 

 


Por: Alessandra Bagattini

Deixe seu comentário

Saiba Mais