Xanxerense conhecida como Neivinha dedica a vida ao voluntariado e a música

4 de janeiro de 2019 14:40 | Comunidade , História , Variedades , Xanxerê Compartilhar no Whatsapp
Xanxerense conhecida como Neivinha dedica a vida ao voluntariado e a música (Foto: Alessandra Oliveira/Lance Notícias)

Neiva Fava, de 47 anos, é mais conhecida no município como Neivinha. Servidora pública há cerca de 24 anos, dedica mais de 30 anos da sua vida ao trabalho voluntário de cantar na igreja e animar as celebrações.

Nascida no interior de Xanxerê, na Linha Monjolinho, se mudou para o perímetro urbano com cinco anos de idade, no ano de 1978. Desde então, reside no Bairro Tacca. Neivinha aprendeu a tocar violão na igreja do seu bairro e mantém essa tradição, agora na comunidade do centro.

– Aprendi a tocar violão na igreja, as primeiras notas foram de ouvido e depois um senhor chamado Tião me ensinou e desde então não parei. Passei um tempo no colégio interno, em Caxias do Sul, e quando voltei comecei a tocar na igreja do centro e continuo até hoje. Além disso, também já fiz parte de um conjunto musical, onde tocávamos em bailes, mas que se desfez depois de um tempo – conta.

Depois, quando voltou para Xanxerê, trabalhou no Iracy Tonello, com um coral de crianças, onde permaneceu até passar no concurso público promovido pela Prefeitura e se tornar desenhista copista. E, além disso, trabalhou também no Cesex, onde deu aula de violão por dez anos. Hoje, ela trabalha como atendente na Garagem da Prefeitura.

– Depois de entrar aqui, fiz o curso de escavadeira hidráulica, mas fiz mais pelos outros componentes do curso, como psicologia de atendimento ao público, relações humanas, primeiros socorros, isso mais me interessava, claro, fiz aulas práticas e aprendi a dirigir também, mas o meu interesse era na parte teórica – comenta.

Dentro da música, ela se diz ser a “ovelha negra” da família, uma vez que é a única instrumentista entre os irmãos. Hoje, ela toca acordeon, violão e violino. O acordeon, aprendeu ainda criança, quando nem conseguia carregar o instrumento e precisava da ajuda da mãe para isso.

Quanto ao amor pela música cristã e por cantar na igreja, ela conta que surgiu a partir do seu gosto pelas músicas do Padre Zezinho.

– Decidi tocar na igreja por gosto. Sempre fui fã do Padre Zezinho. Para mim, as músicas dele sempre foram únicas e pelo gosto às músicas dele que eu me encontrei tocando e cantando na igreja. Ele é uma pessoa que eu admiro demais, a forma dele conduzir as letras dele, os arranjos dele, são sensacionais. Foi por isso que comecei a tocar na igreja – destaca.

 

Lembranças

Neivinha conta que, por cantar na igreja, já foi convidada para animar diversos casamentos, festas de família e confraternizações. Nesses momentos, ela conta que a responsabilidade de ser conhecida e ter muitos amigos na cidade pesa. Mas, aliada a esse sentimento, está também a gratidão.

– Já toquei em muitos casamentos, festas de família, em eventos assim. E isso, de certa forma, pesa na responsabilidade, a gente não pode errar. Quando se comete um erro, isso dói, porque muita gente me conhece, fico concentrada para não errar, seja onde eu esteja tocando, em festas ou em uma celebração corriqueira. Isso traz uma responsabilidade, mas também uma grande gratidão – frisa.

 

Ademais, ela conta que há diversas vantagens em ter essa grande quantia de amigos, uma vez que muitos deles ficaram ao seu lado em momentos difíceis.

– Naqueles momentos de maior dificuldades na vida, quando passei por uma doença, pelo tornado, onde perdi tudo, essas pessoas estiveram ali me ajudando, dando força. Ficaram ao meu lado para que eu pudesse retomar minha vida. Isso me deixa feliz, saber que moro em uma cidade onde moro sozinha, mas não sou sozinha, tenho muitos amigos – pontua.

Além disso, ela também participa de celebrações de velório. Nesses momentos, ela acredita que deve ser uma celebração de ação de graças, por tudo o que a pessoa já viveu.

– Esse precisa ser um momento de conforto para a família, um momento bonito. O momento da passagem não pode ser marcado como algo triste, é inevitável e precisa de um cerimonial de acordo, para que a família tenha uma lembrança bonita – ressalta.

 

Perdas

A xanxerense passou por momentos marcantes em sua vida, como uma doença e, além disso, sua casa foi atingida pelo tornado. Mas, entre os momentos mais marcantes, ela conta que o mais doloroso foi a perda de pessoas queridas.

– Hoje (04), é um dia que fico bem para baixo. Minha irmã estaria completando 62 anos e já faz 20 anos que ela faleceu. Ela foi a primeira pessoa mais próxima que já perdi, depois, foram meus pais. Essas perdas são piores que o material. No tornado, perdi tudo, materialmente, mas perder o convívio de pessoas próximas é pior – conta.

Além disso, Neivinha destaca a gratidão a algumas pessoas, em especial, a momentos únicos que viveu com as Vitoriosas, da Rede Feminina de Combate ao Câncer.

– No ano passado, trabalhei com as vitoriosas e ali conheci muitas histórias em que a minha, perto disso, se tornou insignificante. Foram momentos inexplicáveis que vivi ali. Outra coisa que me marcou foi que, no tornado, perdi meu violino e, um grupo de pessoas, onde participaram o Oswaldo Sete e a Nelci Winckler, que me deram um violino novo – conclui.

 


Por: Alessandra Oliveira

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