Xanxerense percorre mais de 900 km a pé no Caminho de Santiago de Compostela, na Europa

5 de maio de 2019 09:44 | Visualizações: 3654
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Xanxerense percorre mais de 900 km a pé no Caminho de Santiago de Compostela, na Europa Fotos: Arquivos Pessoais

A xanxerense Sabrina Lopes sempre busca ajudar pessoas que precisam. E, depois de quatro meses realizando trabalho voluntário entre Tailândia, África do Sul e Moçambique e ficar um período sem saber qual seria o próximo passo, decidiu fazer algo voltado para si mesma.

Foi a partir daí, contanto com a ajuda de amigos e familiares, que ela resolveu embarcar em uma aventura: uma peregrinação.

– Depois desse tempo de trabalho voluntário, eu não sabia muito bem o que fazer e tive o apoio de familiares e amigos para fazer algo mais voltado pra mim mesma, renovar as energias depois de tanto entregar aos demais. Dentre várias sugestões, muitos me indicaram ir pra Europa, mas nunca foi um grande desejo meu e não me via fazendo “viagens turísticas”, não é meu perfil. Foi quando lembrei do “Caminho de Santiago de Compostela” uma peregrinação da qual ouvir falar a tempos atrás e tive o desejo de fazer – conta Sabrina.

Por saber pouca coisa sobre o caminho, ela decidiu buscar ajuda. Sabrina precisava de roupas, equipamentos e orientações e encontrou isso em uma agência de viagens de dois brasileiros que é especializada no caminho. Com o apoio deles, foi até Madrid, comprou os equipamentos e roupas necessários, pois ela saiu do verão da Àfrica para o inverno europeu, e estava pronta para começar a caminhada.

– Comecei a jornada sozinha, apenas com a mochila e a coragem, no dia 19 de março em Saint-Jean-Pied-de-Port na França. Foi um dias mais difíceis porque eu ainda não conhecia bem as marcações do caminho, tinha medo de me perder, o tempo estava chuvoso e muito frio, tinha nevado  no dia anterior, eu parecia uma mosca tonta, sem saber o que fazer – comenta.

Conforme caminhava e passava por cidades e vilarejos, Sabrina aprendia algo diferente sobre a cultura local. Ela caminhava de 20 a 30km por dia. Ela conta que conheceu pessoas no caminho, mas que optou por andar sozinha.

– Ao longo do caminho fui conhecendo a cultura local, passando pelos menores povoados que ainda prezam pelos hábitos e costumes antigos. Quase todas as construções eram de pedra e mesmo as ruínas são muito bem conservadas. As igrejas estão presentes em todos os povoados e são sempre cheias de histórias. No caminho também passei por castelos e ruínas de antigos hospitais. Muitas histórias sobre a antiga dos cavaleiros templários e outras muitas lendas místicas são muito presentes no caminho – explica.

No caminho, ela encontrou albergues brasileiros e sempre que possível dormiu nesses lugares. Ela lembra que os brasileiros foram acolhedores e ela se sentiu em casa. Para se alimentar, em alguns albergues eles serviam jantar, em outros, cada um podia fazer sua comida ou indicavam restaurantes. Mas, ela conta que sempre tomava café antes de sair e levava um lanche para a jornada durante o dia.

– Cheguei em Santiago de Compostela dia 25 de abril (meu aniversário), foi muito especial e emocionante. Ali eu tive duas opções ou encerrar a peregrinação, já que esse é o ponto final para a maioria das pessoas, pois é a sepultura do apóstolo (que fica na Catedral de Santiago) ou seguir até Fisterra (fim do mundo) onde é oficialmente o marco 0km. Já estava absolutamente exausta, física, mental e emocionalmente, mas no fim resolvi ir até “o fim do mundo” “fim do caminho” foram dias de exaustão e superação até chegar ao 0km no dia 01/05 – salienta.

Foram mais de 40 dias e quase 900km cruzando toda a Espanha a pé desde a França até Fisterra (costa da morte). Hoje, Sabrina conta que se sente realizada e pretende seguir nessa jornada guiada pela solidariedade.

– Estou muito realizada, foi uma experiência única e é tão fora do comum que é difícil explicar. Foi uma jornada de grande superação, muitas reflexões e aprendizados. O meu objetivo é e será sempre continuar evoluindo pessoalmente e ajudando aos demais, se isso envolver viagens, melhor ainda – conclui.


Por: Alessandra Bagattini

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