Xanxerê

Elisa Tonini | 03/03/2026 15:25

03/03/2026 15:25

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Da espiga ao reconhecimento internacional: artesã de Xanxerê transforma palha de milho em arte

Aposentada, foi vendedora e gerente ao longo da vida profissional

Entre os corredores da ExpoFemi 2026, em Xanxerê, um estande chama a atenção pela delicadeza das peças feitas à mão. Bonecas, flores, imagens sacras, presépios e até lustres dividem espaço: todos produzidos a partir da palha de milho por Vanir Zanin, artesã que há oito anos transformou a matéria-prima do campo em arte reconhecida dentro e fora do país.

Moradora de Xanxerê há 55 anos, Vanir conta que o artesanato começou quase por acaso, após um curso oferecido pela prefeitura. “Eu fui mais para participar. Não imaginava que isso se tornaria algo tão importante na minha vida”, relembra.

Meses depois, ao encontrar uma espiga de milho, decidiu testar o que havia aprendido. “Fiz uma peça, depois outra, e fui pegando gosto. Cada dia queria melhorar mais”, comenta.

Hoje, além de produzir as peças, ela cultiva o próprio milho para garantir a palha utilizada no artesanato, um processo que começa no plantio e termina na finalização minuciosa de cada criação.

Inspiração e identidade

No estande da feira, Vanir apresenta uma variedade de produtos. “Tudo o que me pedirem e estiver ao meu alcance, eu faço. Se alguém chega com uma ideia diferente, eu tento desenvolver”, afirma.

O tempo de produção depende da inspiração. Uma boneca pode ficar pronta em um dia, mas há peças que exigem mais dedicação. “Tem dias que a gente consegue desenvolver rápido. Em outros, demora mais. É preciso estar no dia certo para aquela peça”, cita.

Reconhecimento além das fronteiras

O talento da artesã já ultrapassou os limites de Santa Catarina. Cerca de 70 peças foram enviadas para a Itália. Outras chegaram ao Haiti e à Alemanha. Trabalhos de Vanir também representaram o Estado na exposição “Sinta o Sul – Bioma Mata Atlântica”, realizada no Rio de Janeiro, em parceria entre o CRAB e o Sebrae dos três estados do Sul. As peças ficaram expostas por seis meses.

“É muito gratificante. Às vezes a gente pensa em parar, mas quando vem um incentivo desses, dá vontade de fazer mais e desenvolver ainda melhor”, diz.

Artesanato que carrega história

Aposentada, foi vendedora e gerente ao longo da vida profissional, Vanir hoje se dedica integralmente ao artesanato e também ministra cursos, compartilhando o conhecimento adquirido.

Na ExpoFemi 2026, que segue até o dia 8 de março, o trabalho da artesã reforça a ligação entre tradição, cultura e identidade local. Em meio às atrações da feira, a palha de milho ganha nova forma nas mãos de quem transformou simplicidade em reconhecimento.

“Eu acho que a feira está bem organizada, bem bonita. Tem tudo a ver com aquilo que é do nosso município”, conclui.

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