O Hospital Regional São Paulo (HRSP), de Xanxerê, alcançou um marco histórico na área da cardiologia ao realizar, nesta semana, o primeiro Implante Percutâneo de Válvula Aórtica (TAVI) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Grande Oeste catarinense.
A conquista foi possível após a habilitação da instituição em Alta Complexidade em Cardiologia, concedida pela Secretaria de Estado da Saúde em outubro de 2025, por meio da Portaria nº 1.324/2025. Com isso, o HRSP passou a ser o único hospital da região a oferecer o procedimento via SUS.
O TAVI é indicado para pacientes com estenose valvar aórtica grave, uma condição que dificulta a saída do sangue do coração e pode causar sintomas como cansaço, dor no peito, desmaios e, em casos mais severos, insuficiência cardíaca e risco de morte súbita. A principal vantagem da técnica é ser minimamente invasiva, dispensando a necessidade de cirurgia aberta.
De acordo com o cardiologista hemodinamicista Dr. Elias José Perin Conti, o procedimento representa um avanço significativo na assistência à saúde. “A TAVI permite substituir a válvula aórtica por meio de acesso pela artéria femoral, sem a necessidade de abrir o tórax do paciente”, explica.
O especialista ressalta que a técnica é indicada principalmente para pacientes idosos e com alto risco cirúrgico. “Muitos desses pacientes não têm condições clínicas de enfrentar uma cirurgia convencional. A TAVI surge como uma alternativa segura e eficaz”, destaca.
O procedimento exige atuação de uma equipe multidisciplinar, envolvendo cardiologista clínico, hemodinamicista e cirurgião cardíaco. Segundo o médico, o planejamento e a integração entre os profissionais são fundamentais para garantir bons resultados.
Outro benefício importante é a recuperação mais rápida. “Em diversos casos, evitamos até a anestesia geral, o que reduz riscos e permite uma alta hospitalar precoce”, completa.
A primeira paciente atendida pelo SUS foi uma mulher de 76 anos, que passou pelo procedimento no último final de semana. Ela apresentou boa evolução clínica e já recebeu alta hospitalar.
Para o diretor administrativo do hospital, Fábio Lunkes, a implantação do serviço representa um avanço expressivo para a região. “Antes, os pacientes precisavam se deslocar até a Grande Florianópolis ou arcar com custos elevados na rede privada. Agora, conseguimos oferecer esse procedimento de alta complexidade pelo SUS, ampliando o acesso e salvando vidas”, afirma.
Ele também destacou o apoio da Secretaria de Estado da Saúde e o trabalho das equipes envolvidas. “Essa conquista é resultado do empenho de todos os profissionais que tornaram esse serviço possível”, finaliza.