No episódio desta semana, da série de podcasts do Globo Esporte, Cíntia Barlem conversa com a ex-jogadora e xanxerense Mayara Bordin. Ela conta sua trajetória no futebol, os bastidores de disputar uma final de Champions com Marta no auge como companheira de clube, o processo pesado de formação de atletas que ela participou nos EUA, […]
Foto: divulgação
No episódio desta semana, da série de podcasts do Globo Esporte, Cíntia Barlem conversa com a ex-jogadora e xanxerense Mayara Bordin. Ela conta sua trajetória no futebol, os bastidores de disputar uma final de Champions com Marta no auge como companheira de clube, o processo pesado de formação de atletas que ela participou nos EUA, a depressão que enfrentou, a aposentadoria e a sequência precursora e de sucesso no Athlético-PR, onde atualmente é supervisora de scouting e captação de todas as categorias.
Início de carreira
Mayara: “eu comecei no salão, eu sou de Santa Catarina onde o futsal é muito forte. Eu comecei em Chapecó. Mas, meu pai sempre teve o sonho de que eu meu formasse nos Estados Unidos e fui para lá por meio de uma bolsa. Acabei me formando lá e foi muito produtivo, tanto fisicamente quanto taticamente. Psicologicamente eles têm uma mentalidade e disciplina muito diferenciada”.
Na Suécia, participação da Champions
Mayara: “Eu voltei para o Brasil e acabei jogando pelo Foz Cataratas e foi um ano muito importante, ganhamos a Copa do Brasil e eu fui para a seleção. A gente fazia batalhas de campo bonitas de se ver. Depois disso, recebi a proposta para ir para a Suécia. Elas já tinham passado a fase de copas do Champions. A Marta já fazia parte da equipe e talvez, depois da seleção brasileira, essa foi a experiencia mais importante da minha carreira. Ver tudo aquilo foi a realização de um sonho. Foi uma experiencia única, uma pena termos perdido na final. A Marta foi sensacional, mesmo machucada, não posso nem comentar o que essa mulher fez. Ela é um fenômeno. Foi uma das experiências mais incríveis. Voltei para o Brasil e infelizmente, não tive mais muitas oportunidades na seleção brasileira. Na sequência ajudei a iniciar o projeto do Corinthians”.
Dificuldade: depressão
Mayara: “foi bem difícil para mim, tive lesões bem sérias, fraturei costelas, depois quase amputei um pé e algumas coisas internas acabaram acarretando para eu me afundar. Tive uma depressão bem profunda. Quem me ajudou foi minha mãe, que é médica, ela percebeu mesmo de longe que eu estava passando por isso e toda a minha família me ajudou muito. Chegou um momento que eu não queria ir para os treinos, mentia para não sair de casa, eu tinha vontade de tomar atitudes muito drásticas. Até que decidi que queria fazer a quebra de contrato. Tomar essa decisão me mostra que eu realmente estava passando por algo muito sério. Voltei para casa, fiquei dois meses me tratando. Depois comecei recebendo propostas de outras equipes e acabei voltando a atuar mais pelo interesse financeiro e acabei direcionando o meu foco. Fui para a Espanha, fiquei duas temporadas lá e tive uma lesão que me incomoda até hoje. Mas, neste período fiz muitos cursos, inclusive, do Barcelona voltada a patrocínio, marketing, toda essa parte psicológica, coaching, foram tantos que talvez não lembre de todos. No meio disso tudo acabei tendo a oportunidade de vir para o Athletico”