Desde os últimos tempos, houve um grande crescimento no número de famílias que deixaram suas cidades e até mesmo países, em busca de melhores condições de vida. Esses movimentos de migração geralmente ocorrem em lugares com um maior índice de desigualdade, onde poucas áreas muito ricas dividem espaço com outras muito pobres. Pensando nisso, a […]
Desde os últimos tempos, houve um grande crescimento no número de famílias que deixaram suas cidades e até mesmo países, em busca de melhores condições de vida. Esses movimentos de migração geralmente ocorrem em lugares com um maior índice de desigualdade, onde poucas áreas muito ricas dividem espaço com outras muito pobres.
Pensando nisso, a venezuelana Oriana Liz de Los Angeles Puerta, 35 anos, decidiu vir para o munícipio de Xanxerê em busca de melhores condições de vida para sua família. Em entrevista para o Lance Notícias nesta semana, ela conta como se adaptou ao novo país e como está sendo morar em Xanxerê.
– Eu cheguei no munícipio de Xanxerê em outubro de 2019 e minha mãe chegou nos primeiros dias de janeiro de 2020. Nós fomos bem recebidas aqui, conhecemos muitas pessoas maravilhosas que nos ajudaram em muitas coisas. Desde utensílios domésticos, roupas, calçados, e o mais importante, oportunidade de trabalhar e estudar para progredir e ter uma melhor qualidade de vida. Viemos até o Brasil com esse objetivo, melhorar nossa qualidade de vida com trabalho e sacrifício, e claro, temos conseguido isso passo a passo, graças às portas que nos abriram – relata.
A mãe da Oriana, Yeseniana Ramirez Puerta, de 59 anos, diferente da filha, teve uma carreira universitária e é graduada em duas áreas. Porém, mesmo com todos os seus estudos, ela não conseguiu atingir uma estabilidade financeira no país. Recentemente, Oriana conta que recebeu sua irmã com os dois sobrinhos e que antes de dezembro, ela também irá receber sua irmã mais velha com seus outros três sobrinhos. Também há duas irmãs que moram no Brasil, mas residem em cidades diferentes.
A venezuelana ficou encantada com a cidade e destaca que, além de muito bonita, também é uma cidade tranquila e acolhedora.
– Aos poucos fomos nos adaptando à cultura. Estamos trabalhando e isso tem nos ajudado a ter uma casa e um lugar agradável para morar. Conseguimos comprar nossas coisas para nossa casa aos poucos. Aqui nós podemos respirar em paz e nos sentirmos felizes, apesar de estar longe de casa. Tivemos alguns desafios ao longo do caminho, principalmente com o idioma, às vezes me sinto um pouco frustrada porque não conseguimos nos expressar como queremos e é difícil esquecer da nossa língua materna, o espanhol. Mas temos o apoio e a ajuda de várias pessoas, principalmente de uma professora que com paciência e amor, está nos ensinando a língua portuguesa – diz.
Oriana e sua mãe Yeseniana, sentem falta do seu país de origem, da época em que elas iam até o parque tomar sorvete, andar de skate ou passar um final de semana em família e preparar um almoço, sem envolver muito dinheiro. Apenas momentos simples e simbólicos para elas. Mãe e filha destacam que sentem falta do país rico, onde a comida não era um luxo e não havia pobreza e nem fome. Quando existiam serviços básicos como eletricidade, água e gás. Todos ao alcance de todos.
– Sentimos falta do nosso país onde os estrangeiros vieram e encontraram uma terra de prosperidade para suas famílias. Sentimos saudades do nosso lindo e feliz país, com sua música e folclore. Onde estranhos se abraçam no natal e se desejam feliz ano novo. Tenho saudades do nosso país, aquele que se uniu diante de uma tragédia e serviu aos necessitados com empatia e amor. Sentimos saudades das praias, dos rios, dos mares, das suas montanhas, do seu deserto, do Pico Bolívar, das Cataratas do Angel, da música, da alegria, de tudo… Sentimos falta do nosso país e nos dói profundamente ver como um pequeno grupo de pessoas levou tudo isso embora e destruiu – destaca.
O maior sonho das venezuelanas em Xanxerê é continuar progredindo, estudando e trabalhando. Sempre em busca dos seus objetivos. Afim de aproveitar às novas oportunidades que o munícipio oferece. Sempre ao lado da família, criando raízes e tendo histórias para contar.
– Espero que minha mãe veja seus netos crescerem, sabendo que eles terão um belo futuro pela frente – finaliza Oriana.