Ana Maria Arno tem 45 anos e é natural de Xanxerê, trabalhou em casa de família como diarista por mais de 20 anos, mas sempre lhe chamou atenção a confeitaria artesanal. Dessa maneira, ela gostava, mas não sabia fazer, pedia sempre ajuda da sua irmã em datas comemorativas ou comprava, era bastante insegura na gastronomia. […]
Ana Maria Arno tem 45 anos e é natural de Xanxerê, trabalhou em casa de família como diarista por mais de 20 anos, mas sempre lhe chamou atenção a confeitaria artesanal.
Dessa maneira, ela gostava, mas não sabia fazer, pedia sempre ajuda da sua irmã em datas comemorativas ou comprava, era bastante insegura na gastronomia.
— Tentei fazer cucas e doces a alguns anos atrás, mas pensava que não eram bons e eu não tinha tempo para melhorá-los — comenta Ana.
Entretanto, foi em meio a um processo bastante difícil durante a pandemia em conjunto com o tratamento de câncer de mama, que Ana tomou coragem para se aperfeiçoar na confeitaria. Por conta do tratamento ela precisou ser afastada do trabalho e, por consequência, ficar em casa. Muitas vezes de cama.
Para lidar com os efeitos da quimioterapia, ela conta que fez uma horta e passou a cuidar das plantas, verduras e legumes, como forma de lidar melhor com o que estava vivendo.
Sua filha Vanessa Arno relata que a mãe ficou alguns meses usando a horta como forma de lidar com o câncer nos dias difíceis.
— Passado um tempo, ela precisou fazer mais alguns exames, que fizemos particular , para arca-los fizemos rifas, lavagem de carros, almoços, e mais. Como ela não podia trabalhar, os serviços sociais passaram a fornecer sacolão, a rede feminina também, e nesses sacolões vinha farinha, ovo, leite (etc..). A princípio ela fazia bolos, macarrão, pão, tortas, salgados, e distribuía na familia, para os filhos, amigos, como forma de agradecimento a quem estava auxiliando naquele momento — explica Vanessa.
Também aos sábados uma vez no mês, Ana passou a fazer feijoada, macarronada, mondongo para vender, pois o dinheiro da assistência não era o bastante para ela se manter, diz sua filha.
Nessa perspectiva, Ana passou a pesquisar na internet, recheios e receitas melhores para fazer comidas, e principalmente seus bolos que passaram a receber cada vez mais pedidos.
— No início não ficavam com uma boa aparência, a gente brincava dizendo que parecia um vulcão em erupção (risos). E ela distribuía pra gente provar e levar pra casa, pois ela queria saber o que podia melhorar — relembra Vanessa.
Com o tempo, seus bolos começaram a ficar cada vez melhores, em termos de receita — e também de aparência — essa foi a forma que ela encontrou de fazer uma renda extra.
Com os bolos fazendo cada vez mais sucesso:
— Ela finalmente terminou o tratamento, e viu na confeitaria uma verdadeira paixão, os feedbacks são motivadores e uma pessoa que ela admira bastante é a Maria Rita, pois provou o bolo dela no antigo trabalho e amou. Até fez um bolo um dia e cortou para eu provar, dizendo que tinha comprado no mercado e era da Maria Rita. Aí eu provei, elogiei, disse que era muito bom mesmo quando ela caiu na gargalhada, e contou que o bolo era dela. A gente sempre brinca dizendo que ela já passou a Maria Rita (risos) — fala Vanessa.
Ana destaca que seu sentimento em realizar esse trabalho é o de:
— Estar fazendo algo que as pessoas gostem, e que tem um valor especial. Servimos bolo para pessoas especiais em dias especiais. A vida precisa disso, de grandes ou pequenas comemorações! Servir o outro é também uma forma de lidar com a própria dificuldade. Posso afirmar que me sinto muito feliz a cada “obrigado” que recebo! — afirma Ana Maria Arno.
Além disso, ela diz que seu sonho é ser reconhecida pelos bolos, mas não apenas isso, também pela dedicação que teve desde o começo melhorando a cada receita, e pela decisão de seguir em frente apesar de qualquer adversidade.