Encontro em Xanxerê reúne gestores, contadores e profissionais do jurídico para discutir mudanças tributárias e os desafios para a sustentabilidade das instituições de saúde
O Hospital Regional São Paulo (HRSP), de Xanxerê, foi anfitrião, nesta quarta-feira (14), de um encontro do Programa de Atualização dos Gestores na Saúde de Santa Catarina (PROAGS). A programação reuniu diretores, contadores e profissionais da área jurídica de instituições hospitalares da região para discutir os impactos da Reforma Tributária nos hospitais filantrópicos.
O evento foi realizado na sede da Associação dos Funcionários e Amigos do Hospital São Paulo (AFAHSP) e promovido pela Associação de Hospitais do Estado de Santa Catarina (AHESC), pela Federação de Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado de Santa Catarina (FHESC) e pela 8SR Gestão & Valor em Saúde.
A abertura contou com a participação do diretor executivo da AHESC, Alciomar Marin; da presidente da FHESC e diretora-geral do HRSP, Ir. Neusa Lúcio Luiz; do diretor administrativo do hospital, Fábio Lunkes; e do CEO da 8SR Gestão & Valor em Saúde, Luis Santin.
Conforme Ir. Neusa Lúcio Luiz, o PROAGS é realizado anualmente pela AHESC e pela FHESC em diferentes regiões do Estado, com o objetivo de atualizar e capacitar profissionais que atuam na gestão hospitalar.
Neste ano, a Reforma Tributária foi escolhida como tema central diante das mudanças nas regras de tributação e dos possíveis reflexos na administração, na contabilidade e nas questões jurídicas das instituições de saúde.
Alciomar Marin destacou a atuação conjunta da AHESC e da FHESC na representação e no fortalecimento do setor hospitalar e filantrópico catarinense. Segundo ele, o programa busca promover a troca de conhecimentos e preparar os gestores para os desafios relacionados à sustentabilidade e à administração dos serviços de saúde.
A capacitação foi conduzida pelo advogado tributarista Rodrigo R. Dias Reis, especialista em tributos diretos e indiretos. Para o palestrante, a atualização dos profissionais é importante para embasar decisões e contribuir para a continuidade dos serviços oferecidos à população.
Luis Santin também ressaltou a parceria entre as entidades e a disponibilização de especialistas para abordar temas relevantes à gestão hospitalar. Segundo ele, desde o início do PROAGS, mais de dois mil profissionais já foram capacitados.
Durante o encontro, dados apresentados pela AHESC e pela FHESC destacaram a importância dos hospitais filantrópicos para a assistência à saúde em Santa Catarina, especialmente no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com as entidades, o Estado possui 246 hospitais, dos quais 151 são filantrópicos. Das 18.363 vagas hospitalares existentes em Santa Catarina, 11.280 estão nessas instituições, sendo aproximadamente 9 mil destinadas ao SUS.
A presença dessas unidades também é significativa nos municípios de menor porte. Segundo o levantamento, 106 municípios catarinenses com menos de 50 mil habitantes contam com um hospital filantrópico. Além disso, em 109 municípios, essas instituições são as únicas unidades hospitalares existentes.
O setor também tem participação expressiva na assistência de alta complexidade. Conforme os dados apresentados, 53% dos leitos de UTI adulto e neonatal do Estado estão em hospitais filantrópicos. Essas instituições respondem, em média, por 70% dos atendimentos realizados pelo SUS em Santa Catarina, abrangendo internações, cirurgias e serviços especializados, como oncologia e cardiologia.
Os indicadores nacionais da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB), referentes a 2025, também evidenciam a participação dessas instituições na assistência à saúde brasileira.
Segundo o levantamento, os hospitais filantrópicos são responsáveis por 68,2% dos transplantes realizados no país, 62,6% dos procedimentos oncológicos pelo SUS, 60% das internações de alta complexidade e 40% das internações de média complexidade.
Outro dado apresentado chama a atenção para a disponibilidade de leitos hospitalares no Brasil. A densidade nacional é de 2,1 leitos para cada mil habitantes, abaixo dos 3,2 leitos por mil habitantes recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme os números citados no evento.
Diante desse cenário, a discussão sobre a Reforma Tributária ganha relevância para as instituições filantrópicas, que desempenham um papel fundamental na oferta de serviços de saúde à população. A atualização dos gestores busca contribuir para o planejamento administrativo e financeiro dos hospitais diante das mudanças na legislação tributária.
