vitta cardio menu

CoronaVac é segura e induz resposta imune, aponta estudo publicado em revista científica

Felipe Bastos | Covid-19 | 18/11/2020 08:31
CoronaVac é segura e induz resposta imune, aponta estudo publicado em revista científica Foto: ABR
Compartilhar no Whatsapp
Visualizações: 27355

Um estudo feito com 743 pacientes mostrou que a vacina CoronaVac, produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac contra a Covid-19, e que está em testes no Brasil, mostrou segurança e resposta imune satisfatória durante as fases 1 e 2 de testes. O artigo foi publicado nesta terça-feira (17) na revista científica “The Lancet”.

Eficácia da vacina e mais 7 tópicos: entenda os conceitos

A fase 2 dos testes de uma vacina verifica a segurança e a capacidade de gerar uma resposta do sistema de defesa. Normalmente, ela é feita com centenas de voluntários. Já a fase 1 é feita em dezenas de pessoas, e a 3, em milhares. É na fase 3 que será medida a eficácia da vacina.

Os participantes eram adultos saudáveis de 18 a 59 anos e foram escolhidos aleatoriamente para receber duas doses da vacina experimental: dose baixa de 3 microgramas, dose alta de 6 microgramas, ou placebo. Segundo a pesquisa, as respostas de anticorpos foram induzidas no prazo de até 28 dias após a primeira imunização.

Destaques do estudo

Fases 1 e 2 envolveram 743 voluntários saudáveis na China, de 18 a 59 anos. Na fase 1, foram 143; na fase 2, 600.
Vacina tem duas doses e parece ser segura e bem tolerada.
Efeito colateral mais comum relatado foi dor no local da injeção.
Objetivo principal desta etapa da pesquisa foi avaliar a resposta imune e segurança da vacina.
Estudo não avaliou a eficácia na prevenção da infecção por Covid-19.
Novos estudos serão necessários para testar a vacina em outras faixas etárias, bem como em pessoas que tenham condições médicas pré-existentes.

Resposta dos anticorpos

Os voluntários que receberam o imunizante foram divididos em dois grupos, um recebeu a dose mais baixa (3µg) e outra a mais alta (6µg). A dose mais baixa foi considerada a mais indicada, e 97% dos que a receberam tiveram a produção de resposta imune. O estudo não analisou a taxa de eficácia da vacina, que representa a proporção de redução de casos de Covid entre o grupo vacinado comparado com o grupo não vacinado. A pesquisa avaliou a resposta imune gerada, dado que não necessariamente garante a eficácia da vacina.

Ao analisar a resposta imune, o estudo das fases 1 e 2 focou apenas na quantidade de anticorpos. Os pesquisadores não avaliaram também o comportamento das células T (ou linfócitos T), que fazem parte do sistema imunológico e são capazes de identificar e destruir células infectadas.

De acordo com a pesquisa, a taxa de anticorpos neutralizantes encontrada no sangue dos voluntários esteve abaixo (entre 2,5 e até seis vezes) do que é verificado em pacientes que já foram infectados pela Covid.

Terceira fase de testes

Atualmente, a CoronaVac está na terceira e última fase de testes, quando é avaliada em humanos. No Brasil, o grupo de voluntários é formado exclusivamente por cerca de 10 mil profissionais de saúde, mas a meta é ampliar a pesquisa para 13 mil voluntários, incluindo crianças e idosos. Até outubro, 15 mil vacinações já haviam sido aplicadas. Cada voluntário deve receber duas doses.

– A CoronaVac pode ser uma opção atraente, já que pode ser armazenada em refrigeração padrão, como a vacina da gripe. Ela também pode ser armazenada por até três anos, o que ofereceria algumas vantagens para a distribuição. No entanto, os estudos de fase 3 serão cruciais antes de qualquer recomendação – disse Gang Zeng, um dos autores do estudo.

Fonte: G1

Deixe seu comentário