Imprensa

Gabriella Narcizo | 15/09/2026 19:00

15/09/2026 19:00

389 visualizações

“A violência não começa no tapa”: Ana Cecília defende prevenção antes que seja tarde.

Candidata a deputada federal pelo PSB quer ampliar a prevenção à violência contra a mulher, com atenção também às agressões psicológica e patrimonial e à autonomia das vítimas

Xanxerê — Nem toda violência deixa marcas no corpo.

Às vezes ela começa na humilhação diária. No celular vigiado. Na ameaça. No medo. No dinheiro controlado. Na mulher que deixa de trabalhar, de encontrar a família ou de tomar decisões sobre a própria vida.

Para a advogada e candidata a deputada federal Ana Cecília Sirino (PSB), reconhecer esses sinais antes da agressão física é uma das principais formas de prevenir casos mais graves.

A violência não começa no tapa. Muitas vezes, quando ele acontece, aquela mulher já vinha sendo controlada, ameaçada e diminuída há muito tempo. Precisamos chegar antes.

Os números ajudam a explicar a urgência. Em 2025, 52 mulheres foram vítimas de feminicídio em Santa Catarina. Entre janeiro e agosto de 2026, já eram outras 38.

Mas um dado chama ainda mais a atenção: entre 2020 e 2025, 85,7% das vítimas de feminicídio não tinham registrado boletim de ocorrência contra o homem que depois as matou.

“Isso precisa nos fazer pensar. Muitas dessas mulheres nunca chegaram à delegacia. Talvez tenham passado pela escola dos filhos, por uma unidade de saúde, pela assistência social, talvez tenham contado para alguém. Precisamos construir uma rede capaz de reconhecer o risco antes que a violência termine em morte”, afirma Ana Cecília.

 

Violência também pode ser psicológica e patrimonial

A Lei Maria da Penha reconhece que violência contra a mulher não é apenas agressão física.

A violência psicológica aparece na ameaça, humilhação, perseguição, manipulação, isolamento e controle.

Já a violência patrimonial ocorre quando dinheiro, documentos e bens se tornam instrumentos de dominação.

Para Ana Cecília, é preciso mudar inclusive a forma como a sociedade enxerga a mulher que permanece em uma relação abusiva.

“Durante muito tempo se perguntou: ‘Por que ela não foi embora?’ Talvez a pergunta correta seja: ela tinha condições de ir embora? Tinha dinheiro? Trabalho? Documentos? Onde morar com os filhos? Liberdade para recomeçar?”

A candidata defende que o enfrentamento à violência inclua também políticas de autonomia econômica, qualificação profissional, assistência jurídica e acolhimento, porque romper o ciclo exige mais do que uma decisão judicial.

“Às vezes a porta da casa está aberta, mas a mulher continua presa porque não tem condições de sair.”

 

Chegar antes

Como deputada federal, Ana Cecília pretende defender medidas de prevenção precoce, integração das informações da rede de proteção, fortalecimento das medidas protetivas, recursos para atendimento às vítimas e políticas destinadas a reduzir a reincidência dos agressores.

Também quer ampliar a produção de dados sobre violência psicológica e patrimonial, que ainda são mais difíceis de identificar e medir.

“Não quero discutir apenas quantas medidas protetivas foram concedidas ou quantos agressores foram presos. Quero perguntar também: quantas agressões conseguimos impedir?

Ana Cecília reconhece os avanços construídos pelos diferentes governos e defende continuidade das políticas que funcionam.

“Esse não é um problema de um partido. É um problema de toda a sociedade. O que funciona precisa continuar e o que ainda falha precisa ser corrigido.”

Para ela, o objetivo é simples:

Nenhuma mulher deveria precisar apanhar para que o Estado descubra que ela está em perigo. Proteger depois da violência é obrigação. Chegar antes precisa ser prioridade.

 

Referência:  foto com Maria da Penha – novembro de 2014

Deixe seu comentário

Política de privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.