Dr. Leonardo Lacava Lopes participou do 40º encontro anual da EACTS e destaca novidades em técnicas cirúrgicas, proteção do coração e acompanhamento de pacientes
O intercâmbio de conhecimentos e a atualização científica são fundamentais para aprimorar o atendimento aos pacientes com doenças cardiovasculares. Com esse objetivo, o cirurgião cardiovascular e vascular Dr. Leonardo Lacava Lopes, chefe do Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital Regional São Paulo (HRSP), em Xanxerê, participou, neste mês, do 40º Encontro Anual da Associação Europeia de Cirurgia Cardiotorácica (EACTS), realizado em Barcelona, na Espanha.
Considerado o maior congresso mundial da especialidade, o encontro reuniu especialistas para discutir pesquisas, técnicas cirúrgicas e novas estratégias de tratamento. Membro da EACTS, Lacava participa anualmente do evento desde 2011 e destaca a importância de levar os conhecimentos adquiridos para a prática médica regional.
Entre os assuntos abordados nesta edição, três temas se destacaram: os avanços na cirurgia de revascularização do miocárdio, as novas abordagens para o tratamento do arco aórtico e as estratégias de proteção do músculo cardíaco durante os procedimentos cirúrgicos.
A cirurgia de revascularização do miocárdio, popularmente conhecida como ponte de safena ou mamária, esteve entre os temas discutidos no congresso. Foram apresentados dados de acompanhamento de longo prazo do estudo DACAB, que avaliou estratégias de tratamento medicamentoso após a cirurgia, além de análises relacionadas ao uso de múltiplos enxertos arteriais e à estimativa de risco cirúrgico.
Segundo o especialista, os resultados reforçam que o sucesso do procedimento não depende apenas da técnica utilizada durante a operação. O controle do colesterol, o uso correto dos medicamentos e o acompanhamento médico regular também são fundamentais para a saúde do paciente ao longo dos anos.
Outro destaque foi a apresentação de pesquisas desenvolvidas pela equipe do HRSP sobre a cirurgia coronária em mulheres. O trabalho aborda diferenças no diagnóstico e nos resultados cirúrgicos, um tema que ainda exige atenção da comunidade científica.
A pesquisa despertou o interesse de grupos internacionais que investigam o mesmo assunto, incluindo pesquisadores de Toronto, no Canadá. O congresso também prestou homenagem ao cirurgião David Taggart, falecido neste ano, reconhecido por sua defesa de uma cirurgia coronária fundamentada em evidências científicas.
Outro tema importante foi o tratamento do arco aórtico, região da principal artéria do corpo humano de onde partem os vasos responsáveis pela irrigação do cérebro e dos braços.
Procedimentos nessa região estão entre os mais complexos da cirurgia cardiovascular, especialmente nos casos de dissecção aguda da aorta, quando ocorre uma lesão na parede interna do vaso.
Durante o congresso, especialistas discutiram estratégias híbridas e endovasculares que combinam técnicas cirúrgicas convencionais com a utilização de endopróteses introduzidas no interior dos vasos. Essas abordagens buscam ampliar as possibilidades de tratamento e, em situações selecionadas, permitir a correção de diferentes segmentos da aorta em um único procedimento.
De acordo com Lacava, o serviço do HRSP realiza mais de 100 procedimentos por ano envolvendo o arco aórtico. A experiência reforça a atuação do hospital como referência regional nas áreas de cirurgia cardíaca, vascular e endovascular, permitindo que pacientes tenham acesso a tratamentos especializados sem precisar se deslocar para outros centros.
A proteção do músculo cardíaco durante as operações também esteve em pauta. Para realizar determinados procedimentos, os cirurgiões utilizam soluções de cardioplegia, que interrompem temporariamente os batimentos do coração enquanto uma máquina mantém a circulação sanguínea.
Entre as alternativas discutidas está o Cardioplexol, uma solução de pequeno volume, aplicada pelo cirurgião para promover a parada cardíaca controlada. Conforme os dados apresentados pelo especialista, um estudo randomizado europeu demonstrou eficácia e segurança comparáveis às da cardioplegia sanguínea tradicional nas condições avaliadas.
A possibilidade de utilizar volumes menores e reduzir a necessidade de interrupções durante determinadas cirurgias pode contribuir para tornar os procedimentos mais práticos. A adoção de cada técnica, no entanto, depende da avaliação médica e das características de cada paciente.
Ao avaliar a participação no encontro, o cirurgião ressalta que o principal objetivo da atualização científica é transformar o conhecimento em melhorias concretas no atendimento.
A proposta, segundo ele, é incorporar os avanços respaldados por evidências científicas de forma criteriosa, considerando as necessidades dos pacientes e a realidade do serviço de saúde.
A participação em congressos internacionais também fortalece o intercâmbio entre equipes e amplia o acesso a pesquisas que podem contribuir para a evolução da cirurgia cardiovascular.
Dr. Leonardo Lacava Lopes é especialista em Cirurgia Geral, Cirurgia Cardiovascular, Cirurgia Vascular, Estimulação Cardíaca Eletrônica Implantável e Transplante Cardíaco pelo InCor/USP. É doutorando pela Faculdade de Medicina da USP/InCor, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), membro especialista da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) e integrante da EACTS. Também atua como pesquisador principal do QUEEN Trial, ensaio clínico voltado à cirurgia coronária em mulheres.